Adesivos cirúrgicos tecidulares na prevenção da fístula pancreática após cirurgia pancreática

Pergunta de revisão

O adesivo cirúrgico tecidular é capaz de reduzir a fístula pancreática pós-operatória após cirurgia pancreática?

Contexto

A fístula pancreática pós-operatória é uma complicação que pode seguir-se a uma grande cirurgia oncológica ou à inflamação do pâncreas (uma glândula digestiva situada na região posterior do abdómen superior). A cirurgia envolve separar o pâncreas do intestino e depois voltar a uni-lo, para permitir que o suco pancreático (contendo enzimas digestivas) entre no sistema digestivo após a remoção cirúrgica da cabeça do pâncreas. Por outro lado, na remoção cirúrgica da cauda do pâncreas, é deixado um coto pancreático que cicatriza por si. Uma fístula ocorre quando a união do pâncreas ao intestino ou o coto não cicatriza adequadamente, criando uma fuga de suco pancreático do pâncreas para os tecidos abdominais. Isto atrasa a recuperação da cirurgia e muitas vezes requer um tratamento adicional para assegurar a cura completa. A utilidade dos selantes de fibirina (adesivos cirúrgicos tecidulares) na redução da fístula pancreática pós-operatória é controversa.

Características do estudo

Procurámos todos os estudos relevantes e bem conduzidos até março de 2019. Incluímos doze estudos que foram divididos em três comparações. Primeiro, sete dos doze estudos distribuíram aleatoriamente 860 participantes submetidos à remoção cirúrgica da cauda do pâncreas para ou uso de selante de fibrina (428 participantes) ou sem uso de selante de fibrina (432 participantes) para reforço do encerramento do coto pancreático. Segundo, quatro estudos distribuíram aleatoriamente 393 participantes submetidos à operação de "Whipple" (remoção cirúrgica da cabeça do pâncreas) para uso de selante de fibrina (186 participantes) ou nenhum uso de selante de fibrina (207 participantes) para reforço da reconstrução do coto pancreático. Terceiro, dois estudos distribuíram aleatoriamente 351 participantes submetidos à operação de "Whipple" para utilização de selante de fibrina (188 participantes) e nenhum uso de selante de fibrina (163 participantes) para obstrução dos ductos pancreáticos.

Resultados principais

Aplicação de selantes de fibrina no reforço do encerramento do coto pancreático após a remoção cirúrgica da cauda do pâncreas

Quando os selantes de fibrina são utilizados no reforço do fecho do coto após a remoção cirúrgica da cauda do pâncreas, estes selantes podem ter pouca ou nenhuma diferença na ocorrência de fístula pancreática pós-operatória ou morte pós-operatória.

Aplicação de selantes de fibrina no reforço da anastomose pancreática (ligação entre o pâncreas e o intestino) após a operação de "Whipple"

Temos dúvidas sobre se os selantes de fibrina previnem a fístula pancreática pós-operatória ou reduzem a morte pós-operatória quando utilizados para reforço da anastomose pancreática após a operação de "Whipple".

Aplicação de selantes de fibrina na oclusão de ductos pancreáticos (obstrução ou fecho) após a operação de "Whipple"

A fístula pancreática pós-operatória não foi relatada em nenhum dos estudos. Os selantes de fibrina podem ter pouca ou nenhuma diferença na morte pós-operatória quando aplicados na oclusão de ducto pancreático após a operação de "Whipple".

Os selantes de fibrina podem ter pouco ou nenhum benefício na ocorrência de fístula pancreática pós-operatória em pessoas submetidas à remoção cirúrgica da cauda do pâncreas. Não podemos dizer, a partir dos nossos resultados, se os selantes de fibrina têm um efeito importante na ocorrência de fístula pancreática pós-operatória após a operação de "Whipple", uma vez o tamanho da amostra era pequeno e os resultados eram imprecisos.

Qualidade da evidência:

A maioria dos estudos incluídos apresentava algumas deficiências em termos da forma como eram conduzidos ou relatados. No geral, a qualidade da evidência variou de muito baixa a moderada.

Notas de tradução: 

Traduzido por: João Pedro Bandovas, Serviço de Cirurgia Geral, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, com o apoio da Cochrane Portugal.

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