Tratamentos medicamentosos, sem ser corticosteroides, imunoglobulina intravenosa e troca de plasma, para síndrome de Guillain-Barré aguda

Pergunta da revisão

Nós revisamos as evidências sobre outros tratamentos farmacológicos além dos corticoides, imunoglobulina intravenosa e plasmaférese para pessoas com a síndrome de Guillain-Barré (SGB).

Introdução

A síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma paralisia aguda causada pela inflamação dos nervos. Os sintomas são mais graves nas primeiras quatro semanas. Entre 3,5% e 12% das pessoas com SGB morrem devido a complicações da doença. Um quarto dos pacientes precisa de ventilação mecânica (ajuda de aparelhos para respirar). A recuperação demora várias semanas ou meses, e muitas vezes é incompleta. A troca de plasma (para eliminar substâncias danosas do sangue) e a aplicação de imunoglobulina intravenosa (injeção de anticorpos humanos retirados de doações de sangue) podem ajudar a acelerar a recuperação de pessoas com SGB.. Não há evidências que comprovem a eficácia dos corticosteroides. Apesar desses tratamentos, muitas pessoas que têm SGB terão disfunções que perduram por muito tempo. Precisamos descobrir quais outros tratamentos têm sido testados para poder desenvolver novos estudos.

Características dos estudos

Encontramos quatro estudos na primeira versão dessa revisão (conduzida em 2011) e nenhum novo estudo nas atualizações de 2013 e 2016. Cada um desses estudos testou um tratamento diferente. A qualidade da evidência existente foi classificada como muito baixa. Um ensaio clínico randomizado com apenas 19 participantes comparou interferon beta-1a (um remédio que funciona para esclerose múltipla) versus placebo. Outro estudo com apenas 10 participantes comparou um fator que acelera o crescimento dos nervos, que teoricamente deveria ser útil para pessoas com SGB, versus placebo. Um terceiro estudo com 37 participantes comparou a filtração de líquor (líquido que banha o cérebro e os nervos da coluna vertebral) versus a plasmaférese (filtração do sangue). Um quarto estudo com 43 participantes comparou a erva medicinal chinesa Tripterygium polyglycoside, conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, versus corticosteroides. Os três primeiros estudos receberam apoio financeiro das empresas fabricantes dos remédios testados. Não há informações sobre apoio financeiro do quarto estudo.

Principais resultados e qualidade da evidência

Nenhum desses estudos foi grande o suficiente para confirmar ou refutar possíveis benefícios ou danos de qualquer um desses medicamentos no tratamento de pessoas com SGB. O único estudo que encontrou diferença entre os tratamentos foi o estudo com a erva medicinal chinesa: os participantes que receberam a erva medicinal tiveram probabilidade uma vez e meia maior de melhorar da incapacidade após oito semanas do que aqueles que receberam corticosteroides. Porém, essa estimativa foi duvidosa e os autores não reportaram outros desfechos clínicos. Efeitos adversos graves foram raros nos pacientes dos quatro estudos e não houve diferença nos grupos tratados comparados aos controles. Quase não existe nenhuma outra evidência disponível além da proveniente dos ensaios clínicos randomizados.

É necessário desenvolver e testar novos tratamentos para essa doença e usar medidas de desfecho mais sensíveis. Dois estudos em andamento estão testando um remédio imunossupressor chamado eculizumab.

A evidência está atualizada até janeiro de 2016.

Conclusão dos autores: 

A qualidade da evidência foi muito baixa. Três ensaios clínicos randomizados pequenos, que testaram interferon beta-1a ou fator neurotrófico cérebro-derivado versus placebo e filtração do líquor versus plasmaférese, não encontraram benefícios ou danos significativos associados a essas intervenções. Um quarto estudo pequeno mostrou que a erva medicinal chinesa Tripterygium polyglycoside acelerou a recuperação de pacientes com SGB, em comparação com os corticosteroides; porém este resultado precisa ser confirmado. Não foi possível chegar a qualquer conclusão a partir dos poucos estudos observacionais existentes que nós identificamos.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A plasmaférese e a imunoglobulina intravenosa, mas não os corticoides, são benéficos para pacientes com síndrome de Guillain-Barré (SGB). A eficácia de outros agentes farmacológicos é desconhecida. Esta revisão teve sua primeira publicação em 2011, tendo sido atualizada em 2013 e 2016.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos de outros tratamentos farmacológicos para SGB, que não sejam a plasmaférese, a imunoglobulina intravenosa e os corticosteroides.

Estratégia de busca: 

Em 18 de janeiro de 2016, nós fizemos buscas por tratamentos para SGB nas seguintes bases de dados eletrônicas: Cochrane Neuromuscular Specialised Register, Cochrane Central Register of Controlled Trials, MEDLINE e Embase. Nós também pesquisamos registros de ensaios clínicos.

Critérios de seleção: 

Incluímos todos os ensaios clínicos randomizados ou quasi-randomizados envolvendo pacientes de qualquer idade com SGB aguda (início dos sintomas no máximo a quatro semanas) de todos os tipos e graus. Excluímos os estudos que testaram apenas corticosteroides, imunoglobulina intravenosa ou plasmaférese. Incluímos os estudos que avaliaram outros tratamentos farmacológicos ou combinações de tratamentos versus nenhum tratamento, placebo ou outro tratamento. Durante as buscas, identificamos alguns estudos não randomizados; apresentamos esses resultados na discussão.

Coleta dos dados e análises: 

Nós seguimos a metodologia padrão da Cochrane.

Resultados principais: 

Não encontramos novos estudos nesta atualização da revisão. Nas versões anteriores desta revisão, encontramos apenas evidência de qualidade muito baixa de quatro intervenções diferentes publicadas em quatro estudos. Cada estudo tinha alto risco de viés para pelo menos um domínio. Um ensaio clínico randomizado com 19 participantes não encontrou diferença significativa entre interferon beta-1a e placebo, em nenhum dos desfechos avaliados. Outro estudo, com 10 participantes, não encontrou diferença significativa entre os pacientes que receberam fator neurotrófico cérebro-derivado versus placebo em nenhum dos desfechos. O terceiro estudo, com 37 participantes, não encontrou diferença significativa em nenhum desfecho entre os pacientes tratados com filtração de líquor (líquido cerebrorraquidiano ou fluido cérebro-espinhal) versus plasmaférese. No quarto estudo, com 43 participantes, o RR (razão de risco) de melhora de um ou mais graus de incapacidade após 8 semanas de tratamento foi maior no grupo tratado com o fitoterápico Tripterygium polyglycoside do que no grupo que recebeu corticosteroides (RR 1,47; IC 95% 1,02 a 2,11); não houve diferença para outros desfechos. Efeitos adversos graves foram infrequentes nos pacientes tratados com essas intervenções e nos grupos controle.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Carolina de Oliveira Cruz) – Atualizado por Andréa Castro Porto Mazzucca. Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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