Risperidona versus placebo para a esquizofrenia

Pergunta de revisão

A risperidona (em formulação de comprimido) é mais eficaz do que o placebo no tratamento dos sintomas da esquizofrenia ou perturbações esquizofreniformes?

Contexto

Os pacientes com esquizofrenia frequentemente ouvem vozes e vêem coisas (alucinações) e têm ideias estranhas (ideias delirantes). Estes são chamados “sintomas positivos”. A doença mental também causa cansaço, apatia, embotamento emocional, e reclusão. Estes são chamados “sintomas negativos”. O tratamento principal para os sintomas da esquizofrenia são os fármacos antipsicóticos. Os fármacos antipsicóticos podem ser classificados em típicos (mais antigos) e atípicos (mais recentes). Os antipsicóticos típicos tais como a clorpromazina e o haloperidol têm sido o esteio do tratamento durante décadas, e têm sido eficazes na redução dos sintomas positivos da esquizofrenia. Os sintomas negativos, todavia, têm sido bastante resistentes ao tratamento. Adicionalmente, os tratamentos farmacológicos são associados a efeitos laterais desagradáveis que fazem com que os pacientes parem de tomar a medicação, o que pode conduzir a recaída. É pensado que os novos antipsicóticos atípicos, tais como a risperidona, são mais eficazes do que os antipsicóticos mais antigos na medida em que reduzem os sintomas positivos mas causam menos efeitos laterais.

Características do estudo

Foram conduzidas pesquisas para ensaios aleatorizados de alta qualidade em 2008, 2013 e 2015. Esta revisão inclui agora 15 estudos com 2428 participantes. Os estudos randomizaram participantes (pacientes internados e pacientes não internados) com esquizofrenia e perturbações esquizofreniformes em grupos de tratamento que receberam risperidona oral ou placebo.

Resultados principais

Os resultados de limitados dados sugerem que a risperidona é mais eficaz do que o placebo a reduzir os sintomas globais da esquizofrenia, e os participantes a receber risperidona tiveram mais probabilidade de cumprir o tratamento. Todavia, tal como os antipsicóticos típicos mais antigos, a risperidona também se associou a efeitos laterais graves, tais como o parkinsonismo.

Qualidade da evidência

A evidência disponível foi de muito baixa qualidade. A informação e os dados foram limitados, fracamente reportados, e provavelmente enviesados a favor da risperidona. Aproximadamente metade dos ensaios incluídos foram financiados por companhias farmacêuticas. Conclusões firmes são difíceis de fazer baseadas nos resultados desta revisão. Uma melhor conduta e reportagem dos ensaios poderia aumentar a confiança nos resultados.

Ben Gray, Senior Peer Researcher, McPin Foundation. http://mcpin.org/

Notas de tradução: 

Traduzido por: Ricardo Manuel Delgado, Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, com o apoio da Cochrane Portugal.

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