No presente momento, benzodiazepínicos não podem ser recomendados para o tratamento de delirium não relacionado a abstinência de álcool

Uma revisão sistemática de tratamento com benzodiazepínicos de delirium não relacionado a abstinência de álcool identifiocu pouquíssimos ensaios clínicos (um estudos era randomizado sobre pacientes com ventilação mecânica e, portanto seus resultados pouco refletiram nos pacientes delirantes como um todo; e dois estudos parcialmente controlados), cujos resultados indicam que neste momento não há evidências para apoiar o uso de benzodiazepínicos no tratamento de delirium não relacionado a abstinência alcoólica em os pacientes hospitalizados.

Conclusão dos autores: 

Nenhum ensaio clínico controlado adequadamente pode ser encontrado para sustentar o uso de benzodiazepínicos no tratamento de delirium não relacionado a abstinência de álcool em pacientes hospitalizados, e neste momento os benzodiazepínicos não podem ser recomendados para o controle desta condição. Devido à escassez de estudos com randomização de pacientes, controlado por placebo e, ocultação de alocação adequada dos participantes, é evidente que mais pesquisas são necessárias para determinar o real papel de benzodiazepínicos no tratamento de delirium não relacionado a abstinência de álcool.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Delirium ocorre em 30% dos pacientes hospitalizados e está associado a internação prolongada e aumento de morbidade e mortalidade. Resultados de estudos não controlados têm sido pouco claros, com alguns estudos apenas sugerindo que os benzodiazepínicos podem ser úteis no controle do delirium não relacionado à abstinência de álcool.

Objetivos: 

Determinar a efetividade e a incidência de efeitos adversos dos benzodiazepínicos no tratamento de delirium não relacionado a abstinência de álcool.

Estratégia de busca: 

Os ensaios clínicos foram identificados a partir de uma pesquisa na Cochrane Dementia and Cognitive Improvement Group Specialized Register - em 26 de Fevereiro de 2008, utilizando os termos de busca: (deliri * ou confusion) e (benzo * ou lorazepam ", ou" alprazolam "ou "ativan" ou diazepam ou valium ou chlordiazepam).

CDCIG (Cochrane Dementia and Cognitive Improvement Group) Specialized Register contém registros de grandes bases de dados da saúde (incluindo MEDLINE, EMBASE, CINAHL, PsycINFO, CENTRAL, LILACS), bem como muitos dados de estudos em andamento e de outras fontes de literatura.

Critérios de seleção: 

Os ensaios clínicos tiveram que ser ser claros, randomizados e com alocação oculta dos sujeitos. Além disso, os estudos selecionados tiveram que avaliar pacientes pré e pós-tratamento. Nos ensaios clínicos com desenho de estudo crossover, apenas os dados da primeira parte do julgamento foram analisados.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores extraíram os dados dos estudos incluídos. Os dados foram agrupados, quando possível, e foram analisados usando métodos estatísticos adequados. A razão de chances ou diferenças de médias foram calculadas. Apenas dados por análise de "intenção por tratar" foram incluídos.

Resultados principais: 

Apenas um estudo que preencheu os critérios de seleção pode ser identificado. Neste ensaio clínico que comparou o efeito do benzodiazepínico lorazepam com a dexmedetomidina, um agonista seletivo do receptor alfa-2-adrenérgico, em pacientes com delirium em unidade de terapia intensiva sob ventilação mecânica, o tratamento com dexmedetomidina foi associado a um aumento do número de delirium e dias sem coma em comparação com pacientes tratados com lorazepam (pacientes dexmedetomidina, média de sete dias; lorazepam pacientes, média de três dias; P = 0,01). Um estudo parcialmente controlado não mostrou vantagem de um particular benzodiazepínico – o alprazolam, em comparação com neurolépticos no tratamento da agitação associada ao delirium, e outro estudo parcialmente controlado mostrou diminuição da efetividade de um benzodiazepínico – o lorazepam, e aumento dos efeitos adversos, em comparação com os neurolépticos (haloperidol, clorpromazina) para o tratamento de confusão aguda.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Raíssa Pierri Carvalho, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato:portuguese.ebm.unit@gmail.com

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