Anestesia endovenosa versus anestesia inalatória na ventilação monopulmonar.

Os clínicos podem optar por realizar a ventilação monopulmonar do paciente, durante uma cirurgia ou durante o período de tratramento intensivo. Possíveis justificativas são: contribuir para o boa condução da cirurgia, prevenir ruptura pulmonar e prevenir contaminação de um pulmão pelo outro. Durante a ventilação monopulmonar, a anestesia é conduzida pelo fornecimento de um agente inalatório, por exemplo sevoflurano, ao pulmão ventilado, ou pela infusão de anestésicos endovenosos, como o propofol, por exemplo. É possível que o método escolhido para conduzir a anestesia possa afetar os resultados dos pacientes. Nós incluimos 20 estudos que englobaram 850 participantes, nesta revisão sistemática atualizada. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi incerta devido à pobreza de relato. Nenhuma evidência indica que alguma droga utilizada para manter anestesia durante ventilação monopulmonar tenha afetado os desfechos. Pesquisadores deveriam incluir resultados que fossem importantes para os participantes quando forem avaliados os efeitos da técnica anestésica durante ventilação monopulmonar. Estes incluem efeitos adversos pós-operatórios, morte e despertar intraoperatório.

Conclusão dos autores: 

Muita pouca evidência de ensaios clínicos controlados randomizados sugerem diferenças no desfecho de participantes mantidos com anestesia endovenosa versus anestesia inalatória, durante ventilação monopulmonar. Se pesquisadores acreditam que o tipo da droga utilizada para manter anestesia durante ventilação monopulmonar é importante, eles deveriam desenhar um ensaio clínico controlado randomizado com desfechos apropriados dos pacientes, mais do que relatar flutuações temporárias de variáveis fisiológicas.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Esta é uma atualização de uma Revisão Cochrane, inicialmente publicada na The Cochrane Library, Edição 2, 2008.

A técnica denominada ventilação monopulmonar pode confinar sangramento ou infecção a um pulmão, prevenir a ruptura de um cisto pulmonar ou, mais frequentemente, facilitar a exposição ao sítio cirúrgico do pulmão não ventilado. Durante a ventilação monopulmonar, anestesia é mantida pela administração de um agente inalatório para o pulmão ventilado ou por infusão de anestésico endovenoso. É possível que o método escolhido para manutenção da anestesia possa afetar o desfecho de pacientes. Agentes inalatórios podem comprometer a vasoconstricção pulmonar hipóxica (VPH) e aumentar o shunt e a hipoxemia.

Objetivos: 

O objetivo desta revisão foi avaliar a efetividade e a segurança da anestesia endovenosa versus a anestesia inalatória na ventilação monopulmonar.

Estratégia de busca: 

Nós pesquisamos o Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL); The Cochrane Library (2012, Edição 11); MEDLINE (1966 a Novembro de 2012); EMBASE (1980 a Novembro de 2012); Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS, 1982 a Novembro de 2012) e ISI web of Science (1945 a Novembro de 2012), listas de referências, ensaios clínicos e bibliografias de revisões publicadas. Pesquisadores no tema também foram contactados Restrições de idioma não foram aplicadas. A data da pesquisa mais recente foi 19 de Novembro de 2012. A pesquisa original foi realizada em Junho de 2006.

Critérios de seleção: 

Nós incluimos ensaios clínicos controlados randomizados e ensaios clínicos controlados quasi-randomizados de anestesia endovenosa (por exemplo, propofol) versus anestesia inalatória (por exemplo, isoflurano, sevoflurano, desflurano) para ventilação monopulmonar tanto nos participantes cirúrgicos quanto nos participantes de unidade de terapia intensiva. Nós excluimos estudos de participantes que possuíam apenas um pulmão (isto é, pneumectomia ou ausência congênita de um pulmão).

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão avaliaram independentemente qualidade dos ensaios clínicos e extraíram os dados. Nós contactamos os autores para informações adicionais.

Resultados principais: 

Nós incluímos nesta revisão atualizada, 20 estudos que envolveram 850 participantes, todos os quais envolveram participantes cirúrgicos - nenhum estudo investigou ventilação monopulmonar realizada fora da sala de operação. Nenhuma evidência indicou que a droga utilizada para manter a anestesia durante a ventilação monopulmonar afetou a evolução dos participantes. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi difícil de ser acessada como também não foram satisfatoriamente relatados, assim a determinação do viés não foi clara.

Notas de tradução: 

Tradução da Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil (Sócrates Pereira Silva) Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com Translation notes: CD006313

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