Manejo livre de medicamentos da dor em crianças pequenas durante procedimentos médicos

Introdução: Historicamente, a dor infantil vem sendo subtratada.

Pergunta da revisão: Esta revisão avaliou 24 diferentes maneiras de reduzir a dor das crianças durante procedimentos médicos sem o uso de drogas, tais como uso de chupeta, distração e balanço da criança. Foram analisados estudos separadamente para os bebês que nasceram prematuros, recém-nascidos a termo e crianças mais velhas de um mês a três anos. Também observamos se havia diferença sobre o impacto das intervenções, dependendo se a criança havia acabado de ter o procedimento doloroso (reatividade à dor), em oposição a acalmar após o pico do desconforto (regulação imediata pós dor).

Características do estudo: Esta revisão atualizada examinou 63 ensaios clínicos controlados randomizados com 4905 participantes.

Principais resultados e qualidade de evidência: Enquanto havia evidência para sucção não-nutritiva, aconchego, massagem, modificação ambiental, balanço, distração em vídeo, envolvimento estruturado não-pais em diferentes idades e tipos de dor, nenhuma das análises foram baseadas em evidências suficientes para nos permitir tirar conclusões definitivas (por exemplo, estudos de alta qualidade a partir de pelo menos dois laboratórios independentes).

Conclusão dos autores: 

Há evidências de que diferentes intervenções não farmacológicas podem ser usados com prematuros, neonatos e crianças mais velhas para controlar significativamente comportamentos de dor associados com procedimentos agudamente dolorosos. As evidências mais estabelecidas foram de sucção não nutritiva, aconchego e balanço. Todas as análises refletiram que mais pesquisas são necessárias para reforçar a nossa confiança na direção dos achados. Existem lacunas significativas na literatura existente sobre manejo não-farmacológico da dor aguda na infância.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Dor aguda infantil e desconforto são comuns. A infância é uma período de exponencial desenvolvimento. Dor não tratada e desconforto podem ter implicações em toda a vida.  Esta é uma atualização de uma revisão publicado anteriormente na Cochrane Database of Systematic Reviews, Edição 10 de 2011, intitulada "Manejo não-farmacológico da dor a procedimentos em lactentes e crianças".

Objetivos: 

Avaliar a eficácia de intervenções não farmacológicas para lactentes e crianças (até três anos) na dor aguda, excluindo o método canguru e música. As análises foram realizadas separadamente para a idade de lactente (pré-termo, neonato, mais velho) e resposta à dor (reatividade a dor e regulação imediata pós-dor). 

Estratégia de busca: 

Para esta atualização, buscamos na Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) na The Cochrane Library (Edição 2 de 12, 2015), plataforma MEDLINE-Ovid (Março de 2015), plataforma EMBASE-OVID (Abril de 2011 a Março de 2015), plataforma PsycINFO-OVID (Abril de 2011 a Fevereiro de 2015) e plataforma CINAHL-EBSCO (Abril 2011 a Março de 2015). Nós também buscamos por listas de referência e contatamos pesquisadores através de listas de discussão eletrônicas. Novos estudos foram incorporados nesta revisão. Nós refinamos estratégias de busca com um bibliotecário Cochrane-filiado. Para esta atualização, nove artigos a partir da revisão original de 2011, referentes ao Método Canguru, foram excluídos, mas foram adicionados 21 estudos adicionais.

Critérios de seleção: 

Participantes incluíram crianças do nascimento até três anos. Apenas ensaios clínicos controlados randomizados (ECCRs) ou ECCR cross-overs que tiveram uma comparação de controle sem tratamento foram elegíveis para inclusão nas análises. No entanto, quando os efeitos aditivos de uma intervenção não-farmacológica puderam ser avaliados, estes estudos foram também incluídos. Examinamos estudos que preencheram todos os critérios de inclusão, exceto para desenho do estudo (por exemplo, teve um controle ativo) para contextualizar resultados qualitativamente. Houve 63 artigos incluídos na atualização atual.

Coleta dos dados e análises: 

Estudos de avaliação de qualidade e risco de viés foram baseados no Cochrane Risk of Bias Tool e na abordagem GRADE. Analisamos a diferença média padronizada (DMP), utilizando o método genérico de variância inversa.

Resultados principais: 

Sessenta e três estudos, com 4905 participantes, foram analisados. Os procedimentos agudos mais comumente estudadas foram lancetas no calcanhar (32 estudos) e agulhas (17 estudos). O maior DMP para a melhoria do tratamento sobre as condições de controle sobre a reatividade a dor foram: intervenções relacionadas com sucção não nutritiva (neonato: DMP -1.20, IC 95% -2.01 a -0.38) e aconchegar em fraldas (pré-termo: DMP -0.89; IC 95% -1.37 a -0.40). Para a regulação da dor imediata, os maiores DMPs foram: intervenções relacionadas com a sucção não nutritiva (pré-termo: DMP -0.43; IC 95% -0.63 a -0.23; neonato: DMP -0.90; IC 95% -1.54 a -0.25; criança mais velha: DMP -1.34; IC 95% -2.14 a -0.54), aconchego (pré-termo: DMP -0.71; IC 95% -1.00 a -0.43) e balanço (neonato: DMP -0.75; IC 95% -1.20 a -0.30). Cinquenta e dois dos nossos 63 ensaios clínicos não relataram eventos adversos. A presença de uma heterogeneidade significativa limitou nossa confiança nos resultados de determinadas análises, assim como a preponderância de evidência de muito baixa qualidade.

Notas de tradução: 

Tradução da Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil (Esther Angélica Luiz Ferreira) Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com Translation notes: CD006275

Tools
Information
Share/Save