Reabilitação com membros artificiais (próteses) para idosos submetidos a amputação da perna na altura ou acima do joelho por causa de problemas na circulação sanguínea

Introdução

A má circulação nas pernas (distúrbios vasculares), principalmente em pessoas acima de 60 anos, pode ser grave ao ponto de a amputação da perna ser necessária. A amputação pode ser feita na altura do joelho ou acima. Condições clínicas concomitantes (comorbidades), como diabetes e doenças cardiovasculares, podem afetar o processo de reabilitação. É difícil recuperar mobilidade e função quando um membro artificial (prótese) é colocado acima ou na altura do joelho. Por isso, algumas pessoas optam por usar uma cadeira de rodas. Motivação, conforto, estética, funcionalidade, confiabilidade, facilidade de uso, mobilidade prévia e o esforço extra necessário para o uso da perna artificial são importantes fatores que podem interferir na independência da pessoa e na utilização da prótese. O medo de cair, o número de quedas, as circunstâncias sociais e a ajuda e o apoio de outras pessoas também são fatores importantes. Os autores de revisão buscaram ensaios clínicos (um tipo de estudo) que compararam diferentes tipos de reabilitação para melhorar a mobilidade ou a função de idosos que utilizam um membro artificial.

Características do estudo e resultados principais

Os revisores encontraram apenas um ensaio clínico randomizado, de moderada qualidade metodológica (a busca mais recente foi realizada em 14 de junho de 2018). Esse estudo tinha um desenho cruzado (crossover) e envolveu um total de 10 participantes. Para cada um dos 10 participantes, os investigadores sortearam a ordem de fixação dos três pesos. Todos os pesos tinham aparências idênticas e foram adicionados à sua prótese abaixo do joelho. Todos os membros artificiais eram próteses modulares. Os participantes — nove homens e uma mulher — tinham mais de 50 anos, e oito tinham mais de 60 anos. Durante as poucas horas do estudo, quatro participantes preferiram o peso mais leve (150 g), cinco preferiram o peso médio (770 g) e um preferiu o mais pesado (1.625 g). Sete dos 10 participantes classificaram corretamente os pesos, do mais leve ao mais pesado. Os pesos não alteraram a velocidade de caminhada dos participantes em um teste de caminhada de dois minutos. Os autores do estudo não relataram efeitos adversos.

Qualidade da evidência e conclusões

A utilidade dos achados é limitada devido ao fato deles se basearem em apenas um estudo, com poucos participantes, que foram expostos a diferentes pesos em um ambiente laboratorial, por um curto período de tempo. Além disso, também houve diferenças de peso entre as pessoas e suas próteses. A escassa evidência incluída nesta revisão é de qualidade muito baixa e é insuficiente para auxiliar acerca da escolha de reabilitação protética, incluindo o peso ideal da prótese, para idosos com distúrbios vasculares submetidos a amputação transfemoral unilateral.

Conclusão dos autores: 

A escassa evidência apresentada nesta revisão é de qualidade muito baixa e é insuficiente para auxiliar na escolha da reabilitação protética, incluindo o peso ideal da prótese, para idosos com distúrbios vasculares submetidos a amputação transfemoral unilateral. Essa é uma área que necessita urgentemente de um programa de pesquisa que inclua ensaios clínicos controlados e randomizados para estudar intervenções chave.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

No Reino Unido, os distúrbios vasculares são responsáveis por 75% das amputações de membros inferiores. Cerca de 37% desses procedimentos são feitos a nível transfemoral (meio da coxa). A maioria dos pacientes tem mais de 60 anos e apresenta comorbidades. O uso de próteses de membro inferior para a caminhada é prescrito a um número significativo desses amputados. Todavia, muitos não atingem um bom nível funcional com a reabilitação protética. Esta é a terceira atualização da revisão publicada pela primeira vez em 2005.

Objetivos: 

Identificar e sintetizar as evidências sobre intervenções com reabilitação protética para deambulação protética em idosos, institucionalizados ou que vivem na comunidade, submetidos à amputação transfemoral ou transgenicular unilateral devido a problemas vasculares.

Estratégia de busca: 

O Especialista em Informações do grupo Cochrane Vascular fez buscas nas seguintes bases de dados em 14 de junho de 2018: Cochrane Vascular Specialised Register, CENTRAL, MEDLINE, Embase e CINAHL. Também fizemos buscas em duas plataformas de registos de ensaios clínicos (World Health Organization International Clinical Trials Registry Platform eClinicalTrials.gov.) Complementamos a busca pesquisando manualmente as listas de referências dos estudos identificados pela pesquisa eletrônica. Não houve restrições quanto ao idioma ou ao status de publicação.

Critérios de seleção: 

Incluímos estudos clínicos controlados randomizados e quasi-randomizados que testaram intervenções com reabilitação protética para idosos (com 60 anos ou mais) com distúrbios vasculares submetidos a amputação transfemoral ou transgenicular unilateral.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores de revisão, trabalhando de modo independente, examinaram os resultados das buscas para identificar estudos potencialmente elegíveis e, após a leitura na íntegra desses artigos, selecionaram os que seriam incluídos e excluídos. Dois autores de revisão, trabalhando de modo independente, avaliaram a qualidade metodológica dos estudos e extraíram os dados. Usamos o sistema GRADE para avaliar a qualidade geral da evidência para os desfechos analisados nesta revisão.

Resultados principais: 

Não identificamos nenhum estudo novo que pudesse ser incluído nesta atualização da revisão. No total, incluímos um estudo, excluímos 18 estudos, classificamos um estudo como em andamento e outro como aguardando classificação. O único ensaio clínico incluído na revisão recrutou 10 participantes e foi classificado como sendo de moderada qualidade metodológica. A qualidade foi rebaixada devido ao alto risco de viés em dois domínios (geração da sequência aleatória e sigilo de alocação). Os outros quatro domínios (cegamento, dados incompletos dos desfechos, relato seletivo, e qualquer outro viés) tinham baixo risco de viés. Esse estudo, um ensaio clínico randomizado cruzado (crossover) de curta duração, foi realizado no Canadá. O estudo testou os efeitos do acréscimo de três pesos protéticos (150 g vs. 770 g vs. 1625 g), de aspecto idêntico, às próteses de 10 participantes com amputação transfemoral unilateral por doença vascular. Oito participantes tinham mais de 60 anos. Quatro participantes preferiram a adição do peso mais leve (150 g), cinco preferiram o peso médio (770 g) e um preferiu o mais pesado (1.625 g). Os autores do estudo interpretaram esse resultado como equivalente à satisfação do usuário (sucesso) e não relataram efeitos adversos.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Afiliado Paraíba, Cochrane Brazil (Amanda de Assunção Santiago Fernandes e David Cesarino de Sousa). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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