Corticosteróides para o tratamento da infecção por dengue em crianças e adultos

Dengue é uma doença causada por um vírus transmitido por mosquito, que ocorre em muitos países de recursos limitados, e as crianças são muitas vezes mais gravemente afetadas. A maioria dos pacientes infectados irá recuperar com sintomas leves, mas alguns poderão evoluir para dengue grave e poderão morrer. Não há tratamento específico para a dengue, mas alguns médicos utilizam corticosteróides numa fase precoce para prevenir a progressão para dengue grave; e alguns tratam pacientes com choque relacionado à dengue com corticosteróides para melhorar a sobrevivência. É importante resumir os efeitos dos corticosteróides na dengue.

Foi realizada uma busca até 06 de Janeiro de 2014 e incluímos oito estudos que envolveram 948 participantes no total. Quatro estudos de corticosteróides no tratamento de choque relacionado à dengue avaliaram se os corticosteróides podem melhorar a sobrevivência, mas esses estudos eram pequenos e com mais de 20 anos. A evidência que encontramos é de baixa qualidade e não fornece qualquer evidência confiável do uso de corticosteróides para o tratamento do choque relacionado à dengue. Quatro ensaios clínicos avaliaram se os corticosteróides fornecidos numa fase precoce da dengue poderiam prevenir o desenvolvimento de complicações da dengue grave. Estes ensaios clínicos eram mais recente, mas os dados foram insuficientes para ter a certeza de que os corticosteróides têm um efeito no curso da doença.

Conclusão dos autores: 

A evidência de ensaios clínicos utilizando corticóides em dengue é inconclusiva e a qualidade das evidencias é muito baixa. Isto aplica-se tanto ao uso de corticosteróides no choque relacionado à dengue e para a dengue em um estágio inicial. Não há evidência suficiente para avaliar os efeitos dos corticosteróides no tratamento da dengue na fase inicial e choque relacionado à dengue fora do contexto de ensaios clínicos controlados randomizados.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A dengue é uma comum e importante infecção viral transmitida por mosquito Em muitos países de baixa e média renda é endêmica e é um importante problema de saúde pública. Dengue grave é uma importante causa de morte em crianças. Não há tratamento específico para a dengue, mas estudos observacionais sugerem que os corticosteróides podem ter um benefício no choque relacionado à dengue, e algumas pessoas acreditam que os corticosteróides podem prevenir a progressão para doença grave se administrado no início do curso da doença.

Objetivos: 

Comparar o tratamento de dengue, com e sem o uso de corticosteróides ou placebo em relação à prevenção da morte por choque e a progressão da doença em crianças e adultos.

Estratégia de busca: 

Buscamas no Cochrane Infectious Disease Group Centralized Register; CENTRAL; MEDLINE; EMBASE; e LILACS, até 6 de Janeiro de 2014 Selecionamos listas de referência e contatamos os autores de estudos relevantes para informações adicionais, quando necessário.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos controlados randomizados ou parcialmente randomizados comparando corticoesteróides com placebo ou nenhum corticosteróides em pacientes diagnosticados com choque relacionado à dengue, ou pacientes em estágio sintomático precoce de dengue com sorologia positiva.

Coleta dos dados e análises: 

Dois pesquisadores independentemente verificaram a elegibilidade dos registros, extraíram os dados e avaliaram a qualidade dos estudos. Apresentamos os resultados em meta-análise e resumo das conclusões em tabelas e avaliamos a qualidade das evidências usando GRADE.

Resultados principais: 

Foram incluídos oito estudos envolvendo 948 participantes nesta revisão.

Pacientes com choque relacionado à dengue

Quatro estudos envolveram crianças com menos de 15 anos com choque relacionado à dengue em hospitais no sudeste da Ásia avaliando o uso de corticosteróides intravenosos Os ensaios clínicos não detectaram um efeito sobre a morte (quatro ensaios clínicos, 284 participantes, evidência de baixa qualidade), a necessidade de transfusão de sangue (dois ensaios clínicos, 89 participantes, evidência de baixa qualidade), hemorragia pulmonar (um ensaio clínico, 63 participantes, evidência de baixa qualidade), convulsões (um ensaio clínico, 63 participantes, evidência de baixa qualidade), ou tempo de internação (um ensaio clínico, 63 participantes, evidência de baixa qualidade). O conjunto de evidências é muito pequeno para provar confiança ou excluir os efeitos clinicamente importantes. Além disso, os ensaios clínicos são de mais de 20 anos e tem várias limitações metodológicas.

Pacientes com dengue em estágio inicial

Quatro estudos envolveram 664 crianças e adultos com dengue na fase inicial da infecção (sem choque) na Colômbia, Índia, Sri Lanka e Vietnã. Nestes participantes não houve evidência de efeitos dos corticosteróides orais ou intravenosos sobre a mortalidade (quatro ensaios clínicos, 664 participantes, evidências de baixa qualidade), ou no desenvolvimento de complicações da dengue grave, tais como choque (dois ensaios clínicos, 286 participantes, evidências de baixa qualidade), hemorragia grave (dois ensaios clínicos, 425 participantes, evidências de baixa qualidade), trombocitopenia grave (um ensaio clínico, 225 participantes, evidências de baixa qualidade), ascite (um ensaio clínico, 178 participantes, evidências de baixa qualidade) e uma admissão na unidade de terapia intensiva (UTI) (dois ensaios clínicos, 286 participantes, evidências de baixa qualidade).

Notas de tradução: 

Notas de tradução CD003488

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