Vitamina K profilática para hemorragia por deficiência de vitamina K nos recém-nascidos.

A vitamina K injetável pode prevenir a doença hemorrágica do recém-nascido. A vitamina K ajuda o sangue a coagular, mas a capacidade do corpo de armazená-la é muito baixa. A doença hemorrágica do recém-nascido (HDN) é causada por uma deficiência de vitamina K no bebê que acabou de nascer. Esse problema pode levar o bebê a ter um sangramento que coloca em risco sua vida no período que vai das primeiras horas depois do nascimento até alguns meses. A HDN clássica ocorre entre o primeiro e o sétimo dia de vida enquanto a HDN tardia ocorre entre a 2ª e a 12ª semana depois do nascimento. A vitamina K costuma passar pela placenta, mas nem sempre a quantidade é suficiente. A conclusão desta revisão dos estudos randomizados é que uma única injeção de vitamina K previne a HDN clássica.

Conclusão dos autores: 

Uma dose única (1,0 mg) de vitamina K intramuscular após o nascimento é efetiva na prevenção da HDN clássica. A administração da vitamina K profilática (1,0 mg) por via intramuscular ou oral melhora os índices bioquímicos do estado de coagulação no período de 1 a 7 dias. A vitamina K via oral ou intramuscular não foi testada em ensaios clínicos randomizados em relação aos seus efeitos na HDN tardia. A vitamina K oral, em dose única ou dose múltipla, não foi testada em ensaios clínicos randomizados em relação aos seus efeitos na HDN clássica ou tardia.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A deficiência de vitamina K pode causar hemorragia nas primeiras semanas de vida do bebê. Este problema é denominado Doença Hemorrágica do Recém-nascido (HDN). Existem três formas de HDN: precoce, clássica e tardia. A HDN precoce ocorre nas primeiras 24 horas pós-parto e não faz parte do escopo desta revisão. A HDN clássica ocorre entre o primeiro e o sétimo dia de vida. As hemorragias mais comuns nessa forma da doença são as gastrointestinais, cutâneas, nasais e por circuncisão. A HDN tardia ocorre entre a 2ª e a 12ª semana de vida. As hemorragias mais comuns nessa forma da doença são as intracranianas, cutâneas e gastrointestinais.

A administração profilática de vitamina K logo após o nascimento para prevenir a HDN é uma prática comum, mas a via de administração mais adequada ainda é incerta.

Objetivos: 

Revisar a evidência proveniente de ensaios clínicos randomizados para avaliar a efetividade da vitamina K profilática na prevenção da HDN clássica e tardia. As principais perguntas desta revisão foram: Uma única dose de vitamina K, administrada após o nascimento, é capaz de reduzir significativamente a incidência da HDN clássica e tardia? Existe diferença significativa entre as vias de administração oral e intramuscular na prevenção da HDN clássica e tardia? Múltiplas doses orais de vitamina K, administradas após o nascimento, reduzem significativamente a incidência da HDN clássica e tardia?

Estratégia de busca: 

Utilizamos a estratégia de busca padrão do Cochrane Neonatal Review Group.

Critérios de seleção: 

Incluímos todos ensaios clínicos randomizados (ECRs) ou quasi-randomizados que compararam o uso de vitamina K profilática em recém-nascidos. As comparações poderiam ser entre diferentes métodos de administração ou a administração de vitamina K versus placebo ou nenhum tratamento.

Coleta dos dados e análises: 

Os autores da revisão, trabalhando de forma independente, extraíram os dados e fizeram as análises seguindo o método padrão da Colaboração Cochrane e do Neonatal Review Group e calcularam o risco relativo (RR), a diferença de risco (RD) e a diferença média ponderada (WMD).

Resultados principais: 

Identificamos dois ECRs elegíveis para inclusão na revisão. Os estudos compararam uma única dose de vitamina K intramuscular versus placebo ou nenhum tratamento e o desfecho foi sangramento clinicamente relevante. Uma única dose de vitamina K reduziu o sangramento no período de 1 a 7 dias, incluindo sangramento após circuncisão, e melhorou os índices bioquímicos do estado de coagulação. Outros 11 estudos fizeram as seguintes comparações: uma dose única de vitamina K via oral versus placebo ou nenhum tratamento; uma dose única via oral versus uma dose única intramuscular; três doses via oral versus uma dose única intramuscular. Nenhum destes estudos avaliou sangramento clinicamente relevante como um dos seus desfechos. A vitamina K via oral melhorou os índices bioquímicos do estado de coagulação no período de 1 a 7 dias. Não houve diferença entre as vias oral versus intramuscular sobre os índices bioquímicos do estado de coagulação. Os níveis plasmáticos de vitamina K com duas e com quatro semanas foram mais baixos no grupo que recebeu uma dose única via oral do que no grupo que recebeu a vitamina via intramuscular. Por outro lado, os níveis plasmáticos de vitamina K com duas semanas e com dois meses foram maiores no grupo que recebeu três doses via oral do que uma única dose intramuscular.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Márcia Gisele Santos da Costa e Carlos Alberto da Silva Magliano).

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