Anticoagulantes orais utilizados para prevenir acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com fibrilação atrial não valvular e sem história prévia de AVC ou ataques isquêmicos transitório

Anticoagulantes orais previnem AVC e morte em pacientes com fibrilação atrial. A fibrilação atrial é uma irregularidade no batimento cardíaco que leva a formação de coágulos sanguíneos nos átrios. Estes coágulos podem ser levados por meio do sistema circulatório para o cérebro e causar um AVC. Fármacos anticoagulantes, como a varfarina, diminuem a coagulação sanguínea. O grau de inibição da coagulação do sangue durante o tratamento com a varfarina é medido por um teste sanguíneo chamado razão normalizada internacional (INR). Doses de varfarina ajustadas a INR de 2,0 a 2,6 reduzem morte e AVC quando administradas a pacientes com fibrilação atrial. Anticoagulantes orais podem causar sangramentos no cérebro e em outros órgãos. No entanto, desde que haja um controle cuidadoso da dose (INR determinado pelo menos uma vez ao mês com o uso de varfarina), o risco de sangramentos graves é baixo. A decisão de utilizar ou não o anticoagulante oral em pacientes com fibrilação atrial é orientada por vários fatores, incluindo o risco de AVC individual, que varia muito entre os pacientes com fibrilação atrial. A maioria das pessoas com fibrilação atrial deveria considerar o tratamento com anticoagulante oral baseado no risco de AVC, habilidade de tolerar a anticoagulação sem sangramento, e acesso adequado ao monitoramento da anticoagulação.

Conclusão dos autores: 

Tratamento utilizando varfarina com dose ajustada para atingir o INR entre 2 a 3 reduz AVC, sequelas ou AVC fatal, e morte em pacientes com fibrilação atrial não valvular. Os benefícios não foram contrabalançados por risco de aumento de sangramentos entre os pacientes que participaram dos ensaios clínicos randomizados. Limitações incluíram seguimento relativamente curto e estimativas imprecisas do risco de sangramentos dos participantes selecionados nos ensaios clínicos. Para prevenção primária de AVC em pacientes com fibrilação atrial, cerca de 25 AVC e 12 AVC incapacitantes ou fatais poderiam ter sido evitados anualmente em cada 1.000 pacientes com fibrilação atrial utilizando terapia com anticoagulantes orais.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Fibrilação atrial não-valvular é associada com um aumento do risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC) mediados por embolia de trombo precipitada pela estáse no apêndice atrial esquerdo.

Objetivos: 

Caracterizar a eficácia e segurança de anticoagulantes orais para a prevenção primária de AVC em pacientes com fibrilação atrial crônica.

Estratégia de busca: 

Nós pesquisamos o banco de dados do the Cochrane Stroke Group Trials Register (última pesquisa realizada em Junho de 2004). Além disso, pesquisou-se no the Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL)(The Cochrane Library fascículo 4, 2004), MEDLINE (1966 a Junho de 2004), e nas listas de referências de artigos de revisão recentes. Também foi contatado the Atrial Fibrillation Collaboration e especialistas que trabalham nesta área para identificar estudos não publicados e em andamento.

Critérios de seleção: 

Todos os ensaios clínicos randomizados comparando anticoagulante orais com o grupo controle em pacientes com fibrilação atrial não-valvular crônica e sem histórico de ataque isquêmico transitório (TIA) ou AVC.

Coleta dos dados e análises: 

Os ensaios clínicos foram selecionados para inclusão, de forma independente, por dois revisores que também extraíram os desfechos e fizeram verificação cruzada dos mesmos. O método Peto foi utilizado para a combinação das razões de chances (odds ratio). Todas as análises foram, se possível, por intenção de tratar. Uma vez que os resultados publicados de quatro ensaios clínicos incluíram 3 a 8% dos participantes com AVC prévio ou TIA, os resultados não publicados excluindo esses participantes foram obtidos do Atrial Fibrillation Investigators.

Resultados principais: 

A média de idade foi 69 anos dos 2.313 participantes sem isquemia cerebral prévia incluídos nos cinco ensaios clínicos randomizados. Características dos participantes e qualidade dos estudos foram similares entre os ensaios clínicos: o anticoagulante oral utilizado em todos os ensaios clínicos foi a varfarina. Cerca de metade dos participantes (n=1.154) foi randomizada em dose ajustada para atingir o INR (razão normalizada internacional) entre 2,0-2,6. Durante o seguimento médio de 1,5 anos, a varfarina foi associada com uma redução estatisticamente significante de todos os tipos de AVC (razão de chances, odds ratio (OR) 0,39; intervalo de confiança (IC) de 95%: 0,26-0,59), AVC isquêmico (OR 0,34; IC 95%: 0,23-0,52), todos os AVC fatais ou incapacitantes (OR 0,47; IC 95%: 0,28-0,80), morte (OR 0,69; IC 95%: 0,50-0,94) e o desfecho combinado de todos os AVC, infarto do miocárdio ou morte vascular (OR 0,56; IC 95%: 0,42-0,76). As taxas de hemorragias intracranianas e extracranianas observadas não tiveram um aumento estatisticamente significante pela terapia de anticoagulante oral, no entanto este intervalo de confiança foi amplo.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Bruna Cipriano Almeida Barros; Luciane Cruz Lopes, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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