Corticoterapia para crianças com síndrome nefrótico

O síndrome nefrótico é uma doença na qual os rins não impedem a passagem de proteínas do sangue para a urina. As crianças não tratadas morrem frequentemente devido a infeções. A maioria das crianças com síndrome nefrótico apresenta resposta aos corticóides (ex: prednisona, prednisolona) com consequente diminuição do risco de infeção grave. No entanto, os doentes apresentam frequentemente recidivas da doença, as quais são frequentemente despoletadas por infeções virais. Os corticóides podem ter efeitos adversos graves.

Avaliámos a evidência de 34 estudos incluindo 3033 crianças. Catorze de 21 estudos, incluindo crianças com o primeiro episódio de síndrome nefrótico, avaliaram o efeito da administração de prednisona durante dois a três meses, em comparação com períodos mais longos. Treze estudos avaliaram diferentes regimes de terapêutica com corticóides em doentes com síndrome nefrótico recidivante. Os estudos incluídos tinham qualidade metodológica variável e apenas cerca de metade dos estudos apresentavam risco de viés baixo.

Considerando os estudos que compararam o tratamento de longa duração com o de curta duração, estudos mais antigos com risco de viés elevado ou incerto tenderam a sobrestimar o efeito da terapêutica de longo duração em comparação com estudos recentes com risco de viés baixo. Estudos com risco de viés baixo não encontraram diferenças significativas no risco de recaída ou de desenvolvimento de síndrome nefrótico recidivante entre a administração de prednisona durante três a seis meses e durante dois a três meses. Neste sentido, não há benefício de aumentar a duração de prednisona além de dois a três meses, em doentes com episódio inicial de síndrome nefrótico sensível aos corticóides.

Os dados de quatro estudos mostraram que, em crianças com síndrome nefrótico recidivante, a prednisona durante cinco a sete dias no início de uma infeção viral reduz o risco de recidiva.

Esta revisão atualiza a informação previamente publicada em 2000, 2003, 2005 e 2007. Os dados de três novos estudos que avaliaram o efeito de diferentes durações de prednisona no primeiro episódio de síndrome nefrótico alteraram as conclusões apresentadas nas versões anteriores desta revisão.

Notas de tradução: 

Tradução por Miguel Bigotte Vieira, Serviço de Nefrologia e Transplantação Renal, Centro Hospitalar Lisboa Norte, com o apoio da Cochrane Portugal

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