Antibióticos para prevenir complicações em crianças com sarampo

O sarampo é uma doença infecciosa causada por um vírus. Apesar de existir uma vacina eficiente para prevenir o sarampo, no mundo, todos os anos cerca de 30 a 40 milhões de pessoas desenvolvem sarampo. O sarampo causa mais de meio milhão de mortes anualmente e ele é responsável por 44% das 1,7 milhões crianças que morrem por doenças que poderiam ser evitadas se tivessem sido vacinadas. O sarampo está associado a complicações como pneumonia, infecções do ouvido (otite), infecções de garganta (amigdalite), diarreia e conjuntivite.

Atualmente, para evitar essas complicações nas crianças menores de dois anos de idade, recomenda-se dar duas doses de vitamina A. Outra maneira de prevenir as complicações pós-sarampo é administrar antibióticos à criança. O objetivo desta revisão foi avaliar os efeitos de antibióticos para prevenir pneumonia, outras complicações e a morte de crianças com sarampo. Esta revisão apresenta estudos publicados até maio de 2013 e inclui sete ensaios clínicos randomizados (1.263 crianças). A análise desses estudos mostrou que crianças com sarampo que receberam antibióticos tiveram menor incidência de pneumonia, otites e amigdalites do que aquelas que não receberam antibióticos. Entretanto, tomar antibióticos não preveniu conjuntivite ou gastroenterite. Não foi observado nenhum efeito colateral grave atribuível à administração dos antibióticos. Há necessidade de novos estudos porque muitos dos estudos incluídos nesta revisão são bastante velhos (foram feitos há mais de cinquenta anos), a metodologia deles é fraca e eles testaram antibióticos antigos e não aqueles que usamos na atualidade.

Conclusão dos autores: 

Os estudos incluídos na revisão foram de baixa qualidade e usaram antibióticos antigos. Esta revisão sugere um efeito benéfico dos antibióticos na prevenção de complicações como pneumonia, otite média supurativa e amigdalite em crianças com sarampo. Com base nesta revisão, não é possível formular recomendações específicas sobre o tipo de antibiótico que deve ser usado para crianças com sarampo, em que momento ele deve ser usado e qual deve ser a duração do tratamento. Para responder a essas perguntas, faz-se necessária mais evidência proveniente de ensaios clínicos randomizados de alta qualidade metodológica.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Todos os anos, 1,7 milhões de crianças morrem devido a doenças que poderiam ser evitadas por vacinas. Estima-se que o sarampo seja responsável por 44% dessas mortes. Portanto, o sarampo é o principal responsável por mortes que poderiam ser evitadas por vacina.

Objetivos: 

Avaliar, em crianças com sarampo, os efeitos de antibióticos para prevenir complicações e diminuir a pneumonia, outras morbidades e mortalidade.

Estratégia de busca: 

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados eletrônicas: CENTRAL 2013, Issue 4, MEDLINE (de 1966 até a quarta semana de maio de 2013) e Embase (1980 a maio de 2013).

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados (ECRs) e quasi-ECRs comparando antibióticos a grupo controle recebendo placebo ou sem intervenção para prevenção de complicações em crianças com sarampo.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão, independentemente, extraíram os dados e avaliaram a qualidade dos estudos.

Resultados principais: 

Sete estudos com 1.263 crianças foram incluídos. A qualidade metodológica da maioria dos estudos foi baixa. Apenas dois estudos eram randomizados e duplo-cegos. Houve variação no tipo de antibióticos usados, na dose, nos horários e no método de avaliação do desfecho. A combinação dos resultados (metanálise)  dos estudos mostrou redução da incidência de pneumonia no grupo tratado comparado ao grupo controle. Entretanto, a diferença não foi estatisticamente significativa. No grupo tratado com antibióticos, 27 dentre 654 crianças desenvolveram pneumonia (4,1%) comparadas a 59 entre 609 crianças (9,6%) no grupo controle (odds ratio, OR, 0,35; intervalo de confiança de 95%, 95% CI, de 0,12 a 1,01). O único estudo que relatou aumento nas taxas de pneumonia no grupo tratado com antibióticos foi conduzido em 1942 e comparava sulfatiazol oral a tratamento sintomático.  Se esse estudo for excluído, a metanálise passa a ser estatisticamente significativa e mostra redução na incidência de pneumonia no grupo tratado com antibióticos (OR 0,26; 95% CI 0,12 a 0,60). O uso de antibióticos também produziu redução significativa na incidência de otite média supurativa (OR 0,34; 95% CI 0,16 a 0,73) e amigdalite (OR 0,08; 95% CI 0,01 a 0,72). Não houve diferença nas incidências de conjuntivite (OR 0,39; 95% CI 0,15 a 1,0), de diarreia (OR 0,53; 95% CI 0,23 a 1,22) e de crupe, também conhecida como laringotraqueobronquite (OR 0,16; 95% CI 0,01 a 4,06). Nenhum dos estudos relatou efeitos adversos graves atribuíveis aos antibióticos.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil - Centro Afiliado Belém (Pedro Luis Iwasaka-Neder). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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