A segurança e eficácia da extensão do tratamento anticoagulante para pessoas que foram tratadas para coágulos sanguíneos

Contexto

O tromboembolismo venoso (TEV) é uma condição em que um coágulo de sangue se forma nas veias profundas da perna ou da bacia [trombose de veia profunda (TVP)], ou o coágulo viaja no sangue e bloqueia um vaso sanguíneo nos pulmões [embolia pulmonar (EP)]. As pessoas com TEV são tratadas com um anticoagulante, o que evita a formação de novos coágulos. Para os doentes com TEV causada por um determinado factor de risco (períodos prolongados de imobilidade, doença neoplásica, gravidez, contraceptivos orais, terapêutica hormonal de substituição, trauma ou doenças sanguíneas), o tratamento pode ser interrompido com segurança após três meses. No entanto, para doentes em que o TEV não tem causa conhecida (não provocado), a duração ideal do tratamento é desconhecida porque a evidência científica é limitada. Os médicos devem decidir sobre o tratamento prolongado com base no benefício (i.e. prevenção da recorrência do TEV) e risco (i.e. hemorragia) associados ao tratamento. Esta revisão avaliou a eficácia e segurança do tratamento prolongado na prevenção de novos coágulos em doentes com TEV não provocado.

Características do estudo e resultados principais

Encontrámos seis estudos com um total combinado de 3436 doentes (até março de 2017). Cinco estudos compararam o tratamento com um placebo e um estudo comparou um tipo de tratamento com outro. Três dos cinco estudos controlados com um placebo avaliaram o efeito do tratamento com varfarina e dois com aspirina. A combinação de resultados dos cinco estudos não mostrou diferença clara na taxa de formação de novos coágulos entre os doentes tratados com um anticoagulante e aqueles tratados com um placebo e nenhuma diferença clara no número de mortes, incidentes hemorrágicos ou eventos adversos, como acidente vascular cerebral ou ataque cardíaco.

Um estudo mostrou que o tratamento oral com o anticoagulante rivaroxabano estava associado com menor número de coágulos do que a aspirina. Não houve evidência de diferença na ocorrência de eventos major e não-major de hemorragia entre o rivaroxabano e a aspirina. Os dados sobre morte e morte relacionada com coágulos nos pulmões, acidente vascular cerebral e ataque cardíaco ainda não estavam disponíveis para esta revisão e serão incorporados numa versão futura da revisão.

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência científica fornecida pelos estudos incluídos nesta revisão variou de baixa a moderada, porque foram incluídos poucos estudos com poucos eventos.

Esta revisão descobriu que os ensaios clínicos existentes são em número muito limitado para se poder aferir sobre a eficácia e segurança do tratamento prolongado na prevenção de novos coágulos sanguíneos, após três meses de tratamento. São necess´arios mais estudo de larga escala e de boa qualidade.

Notas de tradução: 

Tradução por: Mariana Alves, Médica do Internato de Formação Específica de Medicina Interna, Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), com o apoio da Cochrane Portugal.

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