Oxigenoterapia de alta pressão para crianças e adultos com transtorno do espectro autista (TEA)

Introdução

O transtorno do espectro autista (TEA) está associado a problemas de comunicação social e comportamentos restritos. A oxigenoterapia de alta pressão (hiperbárica) tem sido proposta como tratamento para esses sintomas. Foram revisadas as evidências sobre a oxigenoterapia de alta pressão (hiperbárica) em crianças e adultos com TEA. Também foram avaliadas as evidências sobre a segurança da oxigenoterapia de alta pressão.

Questão da revisão

A oxigenoterapia de alta pressão melhora a comunicação social ou outros aspectos funcionais em crianças e adultos com TEA; e o quão segura ela é?

Características do estudo

Foram pesquisados bancos de dados eletrônicos e estudos clínicos randomizados identificados (nos quais os participantes são alocados aleatoriamente para um de dois ou mais grupos de tratamento), que incluíam participantes que receberam oxigenoterapia de alta pressão ou ar ambiente ou nenhum tratamento como controle.

As evidências foram atualizadas até dezembro de 2015.

Resultados principais

Foi encontrado um único e pequeno estudo de 60 crianças que avaliou a oxigenoterapia de alta pressão para TEA.

Não houve evidência de que a oxigenoterapia de alta pressão melhorou a interação social, problemas comportamentais, comunicação ou fala, ou a função mental em crianças com TEA. Entretanto, as crianças que receberam a oxigenoterapia de alta pressão (hiperbárica) mostraram uma maior ocorrência de eventos de barotrauma de orelha quando comparadas com as do grupo controle.

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência é baixa. A evidência é insuficiente para confirmar se a oxigenoterapia de alta pressão é um tratamento eficiente para indivíduos com TEA.

Conclusões dos autores: 

Até o momento, não há evidências de que a oxigenoterapia hiperbárica melhore os sintomas centrais e os sintomas associados de TEA. É importante notar que podem ocorrer efeitos adversos (como eventos de barotrauma de orelha de grau baixo). Dada a ausência de evidência de efetividade, a plausibilidade biológica limitada e os possíveis efeitos adversos, a necessidade de futuros ECRs de oxigenoterapia hiperbárica deve ser cuidadosamente considerada.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

A crescente prevalência do transtorno do espectro autista (TEA) aumentou a necessidade de tratamentos baseados em evidências para diminuir o impacto dos sintomas. Atualmente, não há terapias disponíveis para tratar de forma efetiva as pessoas com todos os sintomas dessa doença. Sugeriu-se que a oxigenoterapia hiperbárica pode aliviar a disfunção bioquímica e os sintomas clínicos do TEA.

Objetivos: 

Determinar se o tratamento com oxigênio hiperbárico:

1. melhora os sintomas centrais do TEA, incluindo problemas de comunicação social e comportamentos estereotipados e repetitivos;

2. melhora os sintomas não centrais do TEA, tais como comportamentos desafiadores;

3. melhora estados comórbidos, tais como depressão e ansiedade, e

4. provoca efeitos adversos.

Estratégia de busca: 

Em 10 de dezembro de 2015, foram pesquisadas as seguintes bases de dados: CENTRAL, MEDLINE via Ovid, Embase e outras 15 bases de dados, das quais quatro eram bancos de dados em língua chinesa. Também foram pesquisados vários registros de estudos e pesquisas.

Critérios de seleção: 

Foram selecionados estudos clínicos randomizados (ECRs) e quasi-ECRs que englobavam qualquer dose, duração e frequência de oxigenoterapia hiperbárica em comparação com nenhum tratamento ou tratamento simulado para crianças e adultos com TEA.

Coleta dos dados e análises: 

Foram utilizados os procedimentos metodológicos padrão esperados pela Colaboração Cochrane. Três autores da revisão selecionaram estudos independentemente, avaliaram quanto ao risco de viés e extraíram dados relevantes. Também foi avaliada a qualidade da evidência usando a abordagem GRADE.

Principais resultados: 

Foi incluído um estudo com um total de 60 crianças com o diagnóstico de TEA que foram randomizadas para o tratamento oxigenoterapia hiperbárica ou tratamento simulado. Usando os critérios GRADE, a qualidade da evidência foi classificada como baixa devido ao pequeno tamanho da amostra e aos intervalos de confiança (IC) amplos. Outros problemas incluíram viés de seleção e curta duração ou acompanhamento.

Em geral, os autores do estudo relataram não haver melhora na interação e comunicação social, problemas comportamentais, comunicação e habilidades linguísticas ou função cognitiva. Com relação à segurança da oxigenoterapia hiperbárica (eventos adversos), foram relatados eventos de barotrauma de orelha de grau baixo. Os investigadores encontraram diferenças significativas entre os grupos no número total de casos de efeitos colaterais (odds ratio de Peto, OR, de 3,87; IC 95% 1,53 a 9,82) e no número de crianças que apresentaram efeitos secundários (OR 4,40; IC 95%, 1,33 a 14,48).

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brasil (Julia Taira Sarti Penha) — contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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