Benefícios e riscos do celecoxib no tratamento da osteoartrose

Pergunta de revisão

Analisámos os benefícios e os riscos do celecoxib, um fármaco usado no tratamento da osteoartrose, com vista a avaliar o seu efeito na melhoria da dor, mobilidade, qualidade de vida e perfil de segurança.

Contextualização

A osteoartrose, uma doença articular que afeta sobretudo os joelhos e as ancas, surge quando existe desgaste da cartilagem articular, causando dor, rigidez e inflamação. Estas alterações são responsáveis por uma limitação da mobilidade e redução da qualidade de vida. O celecoxib é comercializado como sendo tão eficaz como os anti-inflamatórios tradicionais (AINEs como o naproxeno e o diclofenac) mas com um menor risco para o sistema gastrointestinal, entre outros problemas.

Características dos estudos

Efetuámos a pesquisa até Abril de 2017 e incluímos 36 ensaios clínicos, num total de 17,206 adultos envolvidos, que receberam 200mg de celecoxibe diariamente (9402 participantes), outro fármaco (naproxeno - 6 ensaios clínicos, ou diclofenac - 3 ensaios clínicos, num total de 1869 participantes) ou um tratamento falso (placebo - 32 ensaios clínicos, 5935 participantes).

Em média, os participantes tinham 62 anos e sofriam de osteoartrose há 7,9 anos. Os participantes tinham osteoartrose dos joelhos, ancas, ou ambas as articulações; a maioria eram mulheres, de raça caucasiana.

Fontes de financiamento dos estudos

A maioria dos estudos (34/36) foi financiada pelas farmacêuticas responsáveis pela produção dos fármacos estudados e (34/36) incluiu autores que trabalhavam para as mesmas empresas.

Resultados chave

Comparado com placebo, o celecoxib demonstrou uma redução ligeira da dor, melhoria da função física e provavelmente não foi responsável por um aumento do número de participantes que desistiram dos ensaios clínicos por problemas relacionados com o tratamento. No entanto, é pouco provável que estes resultados sejam clinicamente significativos. Devido à muito baixa qualidade da evidência científica, estamos incertos sobre se o tratamento com celecoxib resultou em eventos adversos, tais como gastrointestinais ou cardíacos, quando em comparação com o placebo. No entanto, existem várias advertências por parte de agências reguladoras de medicamentos, quanto ao risco aumentado de problemas cardíacos com o tratamento com celecoxib.

O celecoxib e os AINEs tradicionais demonstraram igual eficácia na redução da dor; o celecoxib demonstrou um efeito ligeiramente superior na melhoria da função física. A evidência científica que comparou o celecoxib aos AINEs tradicionais foi de baixa ou muito baixa qualidade, pelo que não é possível afirmar se os efeitos adversos ocorridos (como os cardíacos e gastrointestinais) resultaram do tratamento com estes fármacos.

Nenhum estudo de elevada qualidade metodológica avaliou o efeito sobre a qualidade de vida.

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência científica foi baixa, pelo que os resultados devem ser interpretados com prudência. Uma vez que o patrocínio por parte de companhias farmacêuticas pode levar a resultados e conclusões mais favoráveis do que o patrocínio por parte de outras fontes, temos bastantes dúvidas quanto aos resultados, em virtude do forte envolvimento da indústria farmacêutica nos ensaios clínicos e da baixa quantidade de informação disponível.

Não conseguimos obter informação sobre três ensaios clínicos que incluíram um total de 15.539 participantes (a aguardar avaliação); A Pfizer não concordou em disponibilizar os dados sobre dois relatórios que envolveram 14.042 participantes.

É necessário ter acesso aos resultados de todos os ensaios clínicos, de forma a poder compreender melhor os benefícios e riscos do celecoxib e outros tratamentos. São necessários novos ensaios clínicos que investiguem os benefícios e os riscos do celecoxib em comparação com os AINEs tradicionais, em pessoas com osteoartrose, com períodos de seguimentos mais longos, mais comparações diretas com outros AINEs tradicionais, e com fontes de financiamento sem interesses comerciais.

Notas de tradução: 

Tradução por: Guilherme Ferreira Dos Santos, Departamento de Medicina Física e Reabilitação, Hospital de Curry Cabral, Centro Hospitalar de Lisboa Central; Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência; com o apoio da Cochrane Portugal

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