Eficácia da lágrima artificial sem prescrição médica para síndrome do olho seco.

Questão da pesquisa

Qual é o efeito de lágrimas artificiais sem prescrição médica sobre a síndrome do olho seco?

Introdução
Síndrome do olho seco é uma condição de longo prazo que é conhecida por causar desconforto ocular e distúrbios visuais, como visão turva. Essa condição afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e o tratamento de primeira linha para o olho seco é tipicamente lágrimas artificiais sem prescrição médica. Lágrimas artificiais são destinadas a substituir ou complementar as lágrimas (fluido) que naturalmente cobrem a superfície anterior do olho (córnea e conjuntiva). Há um grande número de lágrimas artificiais disponíveis comercialmente, mas não há, atualmente, nenhuma concordância se uma formulação funciona melhor do que outra no tratamento de olho seco. Nossa revisão tenta preencher esta lacuna de conhecimento.

Características do estud
Esta avaliação incluiu 43 ensaios clínicos controlados randomizados (3497 pessoas com olho seco) que compararam lágrimas artificiais com outras lágrimas artificiais, nenhum tratamento ou com placebo. Consideramos os sintomas dos participante o desfecho primário para esta revisão. Registramos outros testes de olho seco comumente realizados como desfechos secundários (por exemplo, visão, estabilidade lacrimal). Avaliamos desfechos primários e secundários em duas e quatro semanas, embora também consideramos os outros pontos de tempo nesta revisão. Buscamos por ensaios clínicos até Dezembro de 2015.

Principais resultados
Esta revisão analisou muitas formulações de lágrima artificial e a maior parte da literatura indica incerteza sobre quais lágrimas artificiais funcionam melhor. A literatura também mostra que as lágrimas artificiais podem ser eficazes no tratamento de sintomas de olho seco, e que lágrimas artificiais são geralmente seguras, embora não sem efeitos colaterais.

Também identificamos um adicional de 18 ensaios clínicos potencialmente elegíveis que foram registrados, mas não forneceram quaisquer resultados ou publicações. Estes ensaios clínicos podem ter inscritos 2079 participantes no total, para quem não existem dados disponíveis. Sem os resultados destes ensaios clínicos, os efeitos das lágrimas artificiais que eles avaliaram são desconhecidos.

Qualidade da evidência

A qualidade geral da evidência foi baixa para as várias formulações de lágrima artificial comparadas nesta revisão. Este achado indica que a pesquisas futuras publicadas podem ter um impacto importante sobre as conclusões atualmente previstas nesta revisão.

Conclusões dos autores: 

Lágrimas artificiais podem ser seguras e eficazes para o tratamento da síndrome do olho seco; a literatura indica que a maioria das lágrimas artificiais podem ter eficácias semelhantes. Esta conclusão pode ser bastante distorcida pelas inconsistências nos desenhos de estudo e inconsistências nos relatórios de resultados dos ensaios clínicos. Assim, é necessário pesquisa adicional antes de podermos tirar conclusões sólidas sobre a efetividade individual das formulações de lágrima artificial.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

Lágrimas artificiais sem prescrição médica têm sido historicamente a primeira linha de tratamento para a síndrome do olho seco e condições relacionados, como o desconforto por lentes de contato, mas atualmente sabemos pouco sobre a eficácia global de lágrimas artificiais individuais, disponíveis comercialmente. Esta avaliação fornece um olhar meta-analítico muito necessário em todos os ensaios clínicos randomizados e quasi-randomizados que analisaram as comparações de confrontação de lágrimas artificiais.

Objetivos: 

Para avaliar a efetividade e toxicidade de aplicações de lágrima artificial no tratamento da síndrome do olho seco comparada com uma outra classe de lágrimas artificiais, nenhum tratamento, ou placebo.

Estratégia de busca: 

Bucamos na ​CENTRAL (que contém o Cochrane Eyes and Vision Trials Register) (2015, Edição 12), Ovid MEDLINE, Ovid MEDLINE In-Process and Other Non-Indexed Citations, Ovid MEDLINE Daily, Ovíd OLDMEDLINE (Janeiro de 1946 a Dezembro de 2015), EMBASE (Janeiro de 1980 a Dezembro de 2015), Latin American and Caribbean Health Sciences (LILACS) (Janeiro de 1982 a Dezembro de 2015), o resgitro ISRCTN ( www.isrctn.com/editAdvancedSearch ), ClinicalTrials.gov ( www.clinicaltrials.gov ), a World Health Organization (WHO) International Clinical Trials Registry Platform (ICTRP) ( www.who.int/ictrp/search/en ) e o US Food and Drugs Administration (FDA) website ( www.fda.gov ). Não foram utilizadas quaisquer restrições de data ou de linguagem nas buscas eletrônicas dos ensaios clínicos. Nossa última busca em bases de dados eletrônicas foi em 4 de Dezembro de 2015. Buscamos​, em listas de referência dos estudos, por quaisquer ensaios adicionais incluídos não identificados pelas buscas eletrônicas.

Critérios de seleção: 

Esta revisão inclui ensaios clínicos controlados randomizados com participantes adultos que foram diagnosticados com olho seco, independentemente de raça e gênero. Foram incluídos ensaios clínicos em que a idade dos participantes não foi relatada, e ensaios clínicos comparando lágrimas artificiais com outra classe de lágrimas artificiais, placebo ou nenhum tratamento. Esta revisão não considerou as comparações de confrontação de lágrimas artificiais com outro tipo de terapia de olho seco.

Coleta dos dados e análises: 

Seguimos os procedimentos metodológicos padrões esperados pela Cochrane. Dois autores selecionaram, independentemente, os resultados da pesquisa, analisaram cópias de texto completos para a elegibilidade, examinaram o risco de viés, e extraíram os dados. Realizamos meta-análise de ensaios clínicos que compararam intervenções semelhantes desfechos comparáveis relatados com dados suficientes. Resumimos todos os outros resultados dos ensaios clínicos incluídos no texto.

Principais resultados: 

Nós incluímos 43 ensaios clínicos controlados randomizados (3497 participantes com olho seco). Devido à heterogeneidade das características do estudo entre os ensaios clínicos incluídos, no que diz respeito aos tipos de critérios diagnósticos, intervenções, comparações e medições realizadas, nossa capacidade de executar meta-análises foi limitada. A avaliação encontrou que, em geral, existe uma incerteza se diferentes lágrimas artificiais proporcionam alívio semelhante de sinais e sintomas, quando comparado com o outro ou com placebo. No entanto, verificamos que 0,2% das lágrimas artificiais à base de ácidos poliacrílicos foram consistentemente mais eficazes no tratamento de sintomas de olho seco que 1,4% das lágrimas artificiais à base de álcool polivinílico em dois ensaios que avaliam esta comparação (175 participantes). Todas as outras lágrimas artificiais produzidas contradizem os resultados entre os grupos ou não encontraram diferenças entre os grupos. Nossa análise também constatou que lágrimas artificiais pode ser geralmente seguras, mas não sem efeitos adversos. No geral, avaliamos a qualidade da evidência como baixa devido aos elevados riscos de viés entre os ensaios clínicos incluídos e pobre reportagem dos desfechos, que eram insuficientes para a análise quantitativa. Além disso, indentificamos mais 18 ensaios clínicos potencialmente elegíveis que foram relatados apenas em registros de ensaios clínicos, sem resultados ou publicações associadas. Estes ensaios clínicos supostamente inscreveram um total de 2079 participantes, para quem não existem dados disponíveis. Essa falta de comunicação dos resultados dos ensaios clínicos representa um alto risco de viés de publicação.

Notas de tradução: 

Tradução da Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil (Laryssa Kataki de Oliveira Veloso) Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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