Terapia combinada e alternada com paracetamol e ibuprofeno para crianças febris

As crianças com infecções geralmente têm febre. A febre que acompanha as viroses comuns (gripe, tosse, dor de garganta e doenças gastrointestinais) geralmente dura alguns dias e deixa a criança indisposta. Essa situação é incômoda para a criança, seus pais ou outros cuidadores.

O paracetamol (também conhecido como acetaminofeno) e o ibuprofeno baixam a temperatura da criança e aliviam seu mal-estar. Esta revisão avaliou se dar os dois remédios juntos ou de forma alternada seria mais efetivo do que dar apenas o paracetamol ou o ibuprofeno sozinhos.

Em setembro de 2013, identificamos um total de 6 estudos, envolvendo 915 crianças, que avaliaram o tratamento combinado ou alternado com paracetamol e ibuprofeno para tratar a febre em crianças.

Dar o ibuprofeno e o paracetamol juntos (comparado a dar cada remédio separadamente) parece ser mais eficaz para baixar a temperatura nas primeiras quatro horas após tratamento (evidência de qualidade moderada). Porém, apenas um estudo avaliou se a terapia combinada melhoraria o mal-estar ou a irritação da criança. Este estudo não encontrou diferenças significativas em comparação com dar o ibuprofeno ou paracetamol isoladamente.

Na prática, orienta-se os cuidadores a começar o tratamento com um único medicamento (paracetamol ou ibuprofeno). Depois, se a febre persistir ou voltar a aparecer, eles devem dar uma dose do medicamento alternativo. Dar esse tipo de tratamento alternado pode ser mais eficaz para baixar a temperatura nas primeiras três horas após a segunda dose (evidência de baixa qualidade) e também pode melhorar o mal-estar da criança (evidência de baixa qualidade).

Apenas um pequeno estudo comparou o tratamento alternado versus com o tratamento combinado e não encontrou vantagens a favor de nenhum dos dois esquemas (evidência de qualidade muito baixa).

Conclusões dos autores: 

Há alguma evidência de que as terapias antipiréticas alternada e combinada podem ser mais efetivas para baixar a temperatura de crianças com febre do que monoterapia isolada. Porém, a evidência quanto à melhora do mal-estar da criança permanece inconclusiva. Não há evidência suficiente para saber qual das duas terapias, combinada ou alternada, traz mais benefícios para as crianças. Futuros estudos devem usar ferramentas padronizadas para medir o mal-estar da criança e avaliar a segurança das terapias antipiréticas combinada e alternada.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

Os profissionais de saúde frequentemente recomendam combinar paracetamol mais ibuprofeno ou então alternar esses dois medicamentos para o tratamento de crianças com febre. No entanto, há incertezas se esses regimes são melhores do que o uso dos agentes isolados e sobre os eventos adversos dos regimes combinados.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade e os efeitos colaterais de administrar paracetamol com ibuprofeno, ou alternar esses medicamentos em tratamentos consecutivos, em comparação com a monoterapia no tratamento de crianças com febre.

Estratégia de busca: 

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados, em setembro de 2013: Cochrane Infectious Diseases Group Specialized Register, Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), MEDLINE, EMBASE, LILACS e International Pharmaceutical Abstracts (2009-2011).

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados controlados que compararam regimes alternados ou combinados de paracetamol e ibuprofeno versus monoterapia em crianças com febre.

Coleta dos dados e análises: 

Um revisor e dois assistentes, trabalhando de forma independente, selecionaram os estudos para inclusão de acordo com os critérios de inclusão. Dois autores, trabalhando de forma independente, avaliaram o risco de viés dos estudos e a qualidade das evidências. Fizemos análises separadas para os diferentes grupos de comparação (terapia combinada versus monoterapia, terapia alternada versus monoterapia, terapia combinada versus terapia alternada).

Principais resultados: 

Incluímos 6 estudos, totalizando 915 participantes.

Em comparação com a administração de um único antipirético isolado, o uso de paracetamol e ibuprofeno combinados para crianças febris pode levar a uma temperatura média mais baixa uma hora após o tratamento: diferença média (DM) -0,27° Celsius, intervalo de confiança (IC) 95% -0,45 a -0,08, 2 estudos, 163 participantes, evidência de qualidade moderada. Se nenhum outro antipirético for dado, o tratamento combinado provavelmente também levará a uma temperatura média mais baixa após quatro horas (DM -0,70° Celsius, IC 95% -1,05 a -0,35, 2 estudos, 196 participantes, evidência de qualidade moderada) e a menos crianças permanecendo ou ficando febris durante pelo menos quatro horas após o tratamento (RR 0,08, IC 95% 0,02 a 0,42, 2 estudos, 196 participantes, evidência de qualidade moderada). Apenas um estudo avaliou o mal-estar da criança (febre associada a sintomas com 24 horas e 48 horas), mas não encontrou diferença significativa entre os regimes de tratamento (1 estudo, 156 participantes, não foi avaliada a qualidade da evidência).

Na prática, orienta-se os cuidadores a começarem o tratamento com um único medicamento (paracetamol ou ibuprofeno). Depois, se a febre persistir ou voltar a aparecer, eles devem dar uma dose do medicamento alternativo. Dar esse tipo de tratamento alternado pode levar a uma temperatura média menor dentro de uma hora após a segunda dose (DM -0,60° Celsius, IC 95% -0,94 a -0,26, 2 estudos, 78 participantes, evidência de baixa qualidade) e um menor número de crianças permanecendo ou ficando febris por até três horas após o tratamento (RR 0,25, IC 95% 0,11 a 0,55, 2 estudos, 109 participantes, evidência de baixa qualidade).Um estudo avaliou o mal-estar da criança (através de escalas de dor com 24, 48 e 72 horas) e encontrou escores médios mais baixos com a terapia alternada, apesar de elas terem recebido um menor número total de doses de antipiréticos (1 estudo, 480 participantes, evidência de baixa qualidade).

Apenas um estudo pequeno comparou terapia alternada versus terapia combinada. Esse estudo não encontrou diferenças estatisticamente significativas na temperatura média ou no número de crianças febris após 1, 4 ou 6 horas (1 estudo, 40 participantes, evidência de qualidade muito baixa).

Os estudos não relataram eventos adversos graves diretamente relacionados com os medicamentos utilizados.

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Melissa Maia Bittencourt). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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