Vacina para prevenir gripe em adultos com câncer

Introdução
Adultos com câncer são mais propensos do que os adultos saudáveis.a ter complicações graves da gripe. A vacina da gripe protege contra gripe e suas complicações. Porém, sua efetividade entre as pessoas com câncer não está clara. As pessoas com câncer podem ter uma diminuição da sua imunidade natural devido à própria doença ou devido à quimioterapia. Essa redução da imunidade pode diminuir a resposta imune delas (sua capacidade de produzir anticorpos contra o vírus influenza) e isso pode afetar a eficácia da vacina. Portanto, para as pessoas com câncer não temos informações claras sobre a importância e a efetividade da vacina contra a gripe.

Objetivo da revisão
O objetivo desta revisão foi avaliar a efetividade da vacinação contra a gripe em adultos com câncer com imunodepressão devido ao câncer ou quimioterapia. Procuramos por estudos publicados até maio de 2017.

Quais foram os principais resultados?
Identificamos seis estudos clínicos (2275 participantes) compatíveis com os objetivos desta revisão. Metade dos estudos eram ensaios clínicos randomizados, um tipo de estudo no qual os participantes são sorteados ao acaso para receber ou não a vacina. Dois outros estudos não eram randomizados e mostraram que adultos com câncer que foram vacinados tiveram menor risco de morrer. Um pequeno ensaio clínico randomizado relatou que a taxa de mortalidade entre pacientes vacinados e não-vacinados foi semelhante. Não foi possível combinar os resultados dos diversos estudos por causa de diferenças metodológicas entre eles ou das diferentes formas deles relatarem os resultados. Em pelo menos um estudo, as pessoas vacinadas tiveram menor risco de desenvolver doença semelhante à gripe (qualquer doença respiratória febril), pneumonia, gripe confirmada e internação no hospital por qualquer razão. Não foi informado nenhum efeito adverso pós-vacinação nestes estudos. A revisão também incluiu um estudo comparativo entre a vacina regular e a vacina que contém um adjuvante, que supostamente aumenta a resposta imunológica. Este estudo randomizado era pequeno e não encontrou diferenças entre os grupos para os desfechos clínicos avaliados.

Qualidade da evidência
A força da evidência é limitada devido ao pequeno número de estudos e à baixa qualidade metodológica deles (alto risco de viés).

Quais são as conclusões?
É improvável que haverá quaisquer grandes estudos controlados no futuro para investigar este assunto. A evidência atual, embora fraca, sugere que a vacinação da gripe pode trazer benefícios e não parece trazer malefícios para adultos com câncer. As vacinas contra gripe dadas aos adultos com câncer contêm um vírus inativado que não causa gripe ou outra infecção viral.

Conclusões dos autores: 

Dados provenientes de estudos observacionais sugerem que a vacinação contra a gripe reduz o risco de morte e de desfechos relacionados com infecção. A força da evidência é limitada devido ao pequeno número de estudos e à baixa qualidade da evidência. Apesar de fraca, a evidência sugere que os benefícios de vacinar pacientes oncológicos adultos contra gripe superam os riscos potenciais. Porém, seria eticamente questionável fazer mais ECRs em adultos com câncer comparando vacinar contra a gripe versus dar um placebo ou não vacinar. Não existe evidência conclusiva quanto ao uso de vacinas com ou sem adjuvantes nesta população.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

Esta é uma atualização da revisão Cochrane publicada em 2013, Issue 10.

Pacientes oncológicos imunossuprimidos apresentam risco aumentado de complicações graves relacionadas com a gripe. Assim, as diretrizes recomendam vacinação desses pacientes contra a gripe. Porém, os dados sobre a efetividade da vacina nesta população são escassos e a relevância da vacinação nesta população permanece incerta.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade da vacinação contra gripe em adultos imunossuprimidos com doenças neoplásicas. O desfecho primário da revisão foi mortalidade por qualquer causa, de preferência avaliada no final da estação da gripe. Os desfechos secundários foram doença semelhante à gripe (ILI, definida clinicamente), gripe confirmada, pneumonia, qualquer hospitalização, mortalidade relacionada à gripe e imunogenicidade.

Estratégia de busca: 

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados, em maio de 2017: Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), MEDLINE, Embase e LILACS. Também fizemos buscas nos seguintes anais de congressos: ICAAC, ECCMID, IDSA (conferências de doenças infecciosas), ASH, ASBMT, EBMT (doenças hematológicas), e ASCO (doenças oncológicas) entre os anos de 2006 a 2017. Além disso, avaliamos as referências de todos estudos identificados e das revisões pertinentes. Pesquisamos os sites dos fabricantes de vacina da gripe. Finalmente, pesquisamos nas plataformas de registros de ensaios clínicos por estudos em andamento ou não publicados.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados (ECRs), estudos de coorte prospectivos e retrospectivos e estudos de caso-controle. Os estudos deveriam comparar vacinas de gripe com vírus inativados versus placebo ou nenhuma vacinação ou uma vacina diferente, em adultos (16 anos ou mais) com câncer. Incluímos participantes que tinham neoplasias de órgãos sólidos tratados com quimioterapia, pacientes com câncer hematológico tratados ou não tratados com quimioterapia, pacientes oncológicos pós-transplante autólogo (até seis meses pós transplante) ou alogênico (a qualquer tempo) de células-tronco hematogênicas (HSCT).

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores, trabalhando de forma independente e seguindo as recomendações metodológicas da Cochrane, avaliaram o risco de viés e extraíram os dados dos estudos incluídos. Não foi possível realizarmos metanálises devido às diferenças nas definições dos desfechos e dos denominadores entre os estudos incluídos.

Principais resultados: 

Identificamos seis estudos com um total de 2275 participantes. Cinco estudos comparam vacinar versus não vacinar, e um estudo comparou uma vacina com adjuvante versus uma vacina sem adjuvante. Três estudos eram ECRs, um era um coorte prospectivo e dois eram coortes retrospectivos.

Para a comparação vacinar versus não vacinar, incluímos dois ECRs e três estudos observacionais, totalizando 2202 participantes. Um estudo apresentou seus resultados em pessoas-ano enquanto os outros apresentaram os resultados por pessoa. Os cinco estudos foram conduzidos entre 1993 e 2015 e incluíram adultos com doenças hematológicas (três estudos), pacientes pós-transplante de medula óssea (BMT) (dois estudos) e com neoplasias de órgãos sólidos (três estudos).

Um ECR e dois estudos observacionais reportaram mortalidade por qualquer causa. O ECR encontrou taxas de mortalidade semelhantes em ambos os grupos: odds ratio (OR) 1,25 IC 95% 0,43 a 3,62, 1 estudo, 78 participantes, evidência baixa qualidade. Os estudos observacionais encontraram uma associação significante entre receber vacina e menor risco de morte. Em um estudo, o OR ajustado foi de 0,88 IC 95% 0,78 a 1,00, 1 estudo, 1577 participantes, evidência de qualidade muito baixa. No outro estudo, o OR foi de 0,42 IC 95% 0,24 a 0,75, 1 estudo, 806 participantes, evidência de qualidade muito baixa. Um ECR encontrou uma redução da ILI no grupo vacinado. Por outro lado, um estudo observacional não detectou nenhuma diferença entre os grupos. Um ECR e três estudos observacionais relataram que os participantes vacinados tiveram menor taxa de gripe confirmada. Em um desses estudos, a diferença atingiu significância estatística. Um estudo observacional relatou uma taxa significativamente menor de pneumonia no grupo vacinado. Porém, outro estudo observacional e um ECR não detectaram diferenças para esse desfecho. Um ECR relatou redução na taxa de internação no grupo vacinado enquanto um estudo observacional não observou nenhuma diferença. Não houve relato de nenhum evento adverso ameaçador à vida ou persistente entre os participantes vacinados. A força de evidência foi limitada devido ao pequeno número de estudos incluídos e à sua baixa qualidade metodológica. Segundo o GRADE, a qualidade da evidência para o desfecho mortalidade foi baixa à muito baixa.

Para a comparação da vacina com adjuvante versus sem adjuvante, identificamos apenas um RCT com 73 pacientes. Não encontramos nenhuma diferença para o desfecho primário e todos para todos os desfechos secundários avaliados. A razão de risco para mortalidade no grupo que recebeu a vacina com adjuvante foi 0,54, IC 95% 0,05 a 5,73, evidência de baixa qualidade. A qualidade da evidência foi rebaixada devido ao pequeno tamanho amostral e aos amplos intervalos de confiança para todos os desfechos.

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Élide Sbardellotto Mariano da Costa) – contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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