Uso de antibióticos na prevenção de infecção de lesões de queimaduras.

Queimaduras são um problema sério. Elas são associadas com uma significante incidência de morte e incapacidade, múltiplos procedimentos cirúrgicos, hospitalização prolongada e altos custos de assistência à saúde.

Diversos antibióticos são usados com objetivo de reduzir o risco de infecção em queimados antes que ela ocorra. Alguns antibióticos são usados localmente na pele (tratamentos tópicos), outros são ingeridos, ou por injeção e afetam o corpo inteiro (tratamento sistêmico). Não está claro se antibióticos profiláticos são benéficos.

Trinta e seis estudos envolvendo 2117 participantes estão incluídos nessa revisão. Os estudos compararam pessoas com queimaduras que receberam antibióticos com pessoas também com queimaduras que receberam ou um tratamento inativo (placebo), nenhum tratamento, curativos de feridas, ou outra preparação tópica ou antibiótico. Vinte e seis ensaios clínicos (72%) avaliaram antibióticos tópicos e um número menor avaliou antibióticos orais, intravenosos ou por via aérea. A maior parte dos estudos eram pequenos e de baixa qualidade.

Foi encontrada alguma evidência de que um antibiótico em particular (sulfadiazina de prata) aplicado diretamente sobre a queimadura aumenta as taxas de infecção entre 8% e 80%. Diferente disso, não houve evidências suficientes em relação aos efeitos dos antibióticos para que uma conclusão confiável pudesse ser tirada.

Conclusões dos autores: 

As conclusões que pudemos tirar em relação aos efeitos dos antibióticos profiláticos em pessoas com queimaduras são limitadas pelo volume e qualidade de pesquisas existentes (número muito pequeno de estudos e com risco incerto ou alto de viés para cada comparação). O maior volume de evidência sugere que a sulfadizina de prata tópica está associada com um aumento significante nas taxas de infecção de queimaduras e aumento do tempo de estadia no hospital comparada com curativos ou outros substitutos de pele; essa evidência possui risco alto ou incerto de viés. Atualmente, os efeitos de outras formas de profilaxia antibiótica em infecções de queimaduras são incertos. Um pequeno estudo registrou uma redução na incidência de pneumonia associada a um regime específico de antibiótico sistêmico.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

A infecção de lesões de queimaduras é um sério problema, pois pode atrasar a cicatrização, aumentar as cicatrizes e infecções invasivas podem resultar na morte do paciente. Profilaxia antibiótica é uma das varias intervenções que podem evitar a infecção da queimadura e proteger o paciente queimado de infecções invasivas.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos da profilaxia antibiótica nas taxas de infecção de queimaduras.

Estratégia de busca: 

Em Janeiro de 2013, buscamos no Wounds Group Specialised Register; The Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL); Ovid MEDLINE; Ovid MEDLINE - In-Process & Other Non-Indexed Citations (2013); Ovid EMBASE; EBSCO CINAHL e listas de referências de artigos relevantes. Não houve restrições em relação a língua, data de publicação ou local do estudo.

Critérios de seleção: 

Todos os ensaios clínicos controlados randomizados (ECRs) que avaliaram a eficácia e segurança da profilaxia antibiótica para prevenção de infecção em lesões de queimaduras. Estudos quasi-randomizados foram excluídos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão, independentemente, selecionaram os estudos, avaliaram os riscos de viés e extrairam os dados relevantes. A razão de risco (RR) e a diferença média (DM) foram estimadas para dados dicótomos e contínuos, respectivamente. Quando um número suficiente de ECRs estavam disponíveis, os estudos foram agrupados em uma meta-análise para estimar o efeito combinado.

Principais resultados: 

Essa revisão inclui 36 ECRs (2117 participantes); vinte e seis (72%) avaliaram antibióticos tópicos, sete avaliaram antibióticos sistêmicos (quatro desses administraram o antibiótico peri-operatório e três administraram na admissão ou durante o tratamento de rotina), dois avaliaram profilaxia com antibióticos não absorvíveis, e um avaliou antiobióticos locais administrados por via aérea.

Os 11 ensaios clínicos (645 participantes) que avaliaram a profilaxia tópica com sulfadiazina de prata foram agrupados em uma meta-análise. Houve um aumento estatisticamente significante das infecções das feridas de queimadura associadas a sulfadiazina de prata comparada com curativos/substitutos de pele (OR = 1,87; IC 95%: 1,09 a 3,19, I2 = 0%). Estes ensaios clínicos possuiam um risco alto ou incerto de viés. A sulfadiazina de prata também foi associada com uma estadia hospitalar significantemente mais longa, comparada com curativos/substitutos de pele (DM = 2,11 days; IC 95%: 1,93 a 2,28).

Profilaxia com antibióticos sistemicos em pacientes não-cirúrgicos foi avaliada em três estudos (119 pacientes) e não houve evidência de redução das taxas de infecção de queimaduras. Antibióticos sistêmicos (sulfametoxazol-trimetropim) foram associados com uma redução significante de pneumonias (apenas um ensaio clínico, 40 participantess) (RR = 0,18; IC 95%: 0,05 a 0,72), mas não de sepse (dois ensaios clínicos, 59 participantes) (RR = 0,43; IC 95%: 0,12 a 1,61).

Profilaxia antibiótica peri-operatória não teve efeito em nenhum desfecho dessa revisão.

Descontaminação seletiva do trato digestivo com antibióticos não-absorvíveis não possuiu efeito significante nas taxas de infecção de todos os tipos (dois ensaios clínicos, 140 participantes). Além disso, houve um aumento estatisticamente significante nas taxas de MRSA associado ao uso de antibióticos não-absorvíveis e cefotaxima comparado com placebo (RR = 2,22; IC 95%: 1,21 a 4,07).

Não houve evidência de diferença na mortalidade ou taxas de sepse com uso de antibióticos inalatórios locais profiláticos comparado com placebo (apenas um ensaio clínico, 30 participantes).

Notas de tradução: 

Notas de tradução CD008738.pub2

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