Tratamentos tópicos para líquen escleroso genital

O líquen escleroso é uma doença de pele crônica que acomete principalmente mulheres adultas, mas também afeta homens e crianças. As regiões genital e perianal são as áreas mais frequentemente afetadas. As mulheres e meninas frequentemente se queixam de coceira, dor e queimação na área envolvida. Após a inflamação, o tecido cicatricial pode causar fusão dos lábios vaginais, estreitamento vaginal e pode encobrir o clitóris. Devido à dor, a relação sexual é frequentemente dolorosa, menos prazerosa, ou se torna impossível. Nos homens e meninos, a doença pode causar estreitamento do prepúcio, levando a dificuldade em urinar ou a ereção dolorosa. Dor perianal também pode estar presente, levando a constipação, especialmente em crianças. O tratamento da doença traz benefícios por aliviar sintomas e prevenir danos a longo prazo na área genital e perianal. Vários tratamentos tópicos para líquen escleroso foram propostos. Esta revisão teve como objetivo identificar quais tratamentos tópicos são efetivos e seguros.

Foram incluídos nesta revisão 7 estudos, com um total de 249 participantes, abrangendo 6 tratamentos. O propionato de clobetasol e o furoato de mometasona tópicos foram eficazes no tratamento de líquen escleroso genital. Não houve diferença significativa na eficácia do creme de pimecrolimus, comparado ao propionato de clobetasol, no alívio dos sintomas (como prurido e dor), mas o creme de pimecrolimus foi menos eficaz em melhorar a aspecto geral da pele.

Concluiu-se que mais estudos são necessários por diversas razões: para decidir a potência do corticoesteroide que deve ser usada, bem como a frequência e a duração de sua aplicação para melhores resultados; para analisar outros tratamentos de pele; para avaliar os benefícios a longo prazo dos tratamentos tópicos quanto ao alívio dos sintomas e redução do risco de desenvolver neoplasias nos órgãos genitais; e para avaliar os benefícios dos tratamentos sobre a qualidade da vida sexual dos pacientes afetados por essa doença.

Conclusões dos autores: 

A evidência atual, que é limitada, sugere que o propionato de clobetasol, o furoato de mometasona, e o pimecrolimus são efetivos no tratamento de líquen escleroso genital. Outros ECRs são necessários para avaliar qual é a potência e o regime de tratamento dos corticosteroides tópicos ideais, para estudar outros tratamentos tópicos, para avaliar também a duração da remissão ou a prevenção de crises e a redução no risco de carcinoma espinocelular ou neoplasia intraepitelial genital, além de avaliar a eficácia na melhora da qualidade da vida sexual das pessoas com essa afecção.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

O líquen escleroso é uma doença inflamatória cutânea crônica que ocorre mais frequentemente em mulheres adultas, embora também possa afetar homens e crianças. Acomete primariamente a área genital e perianal, provocando prurido e dor persistentes. Se o tratamento não é iniciado precocemente, a formação de tecido cicatricial após a inflamação pode levar a consequências graves, como fusão dos lábios da vulva, estreitamento do entroito vaginal, podendo encobrir o clitóris em mulheres e meninas, assim como o estreitamento do prepúcio em homens e meninos. Os pacientes afetados têm maior risco de desenvolver neoplasias genitais.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos dos tratamentos tópicos para líquen escleroso e os efeitos adversos relatados nos estudos incluídos.

Estratégia de busca: 

Pesquisamos as seguintes bases de dados até 16 setembro de 2011: Cochrane Skin Group Specialised Register, Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) in The Cochrane Library,MEDLINE (desde 2005), EMBASE (desde 2007), LILACS (desde 1982), CINAHL (desde 1981), British Nursing Index and Archive (desde 1985), Science Citation Index Expanded (desde 1945), BIOSIS Previews (desde 1926), Conference Papers Index (desde 1982) e Conference Proceedings Citation Index - Science (desde 1990). Procuramos também em plataformas de registro de ensaios clínicos por estudos em andamento e realizamos buscas nas listas de referências dos estudos incluídos, das revisões publicadas e nos artigos que citavam os estudos incluídos.

Critérios de seleção: 

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (ECRs) de tratamentos tópicos para líquen escleroso genital.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores selecionaram independentemente os estudos, fizeram a extração dos dados e avaliaram o risco de viés. Um terceiro autor estava disponível para resolver divergências de opinião.

Principais resultados: 

Foram incluídos 7 ECRs, com um total de 249 participantes, incluindo 6 tratamentos. Seis desses ECRs testaram a eficácia de um tratamento versus placebo ou outro tratamento, enquanto um estudo testou três tratamentos versus placebo.

Segundo um estudo, o propionato de clobetasol a 0,05% foi eficaz no tratamento do líquen escleroso genital quando comparado com placebo, em relação aos seguintes desfechos: "melhora ou remissão dos sintomas relatados pelo participante" (razão de risco, RR, de 2,85, intervalo de confiança de 95%, 95% CI, de 1,45 a 5,61) e "melhora global avaliada pelo examinador" (diferença média padronizada de 5,74, 95% CI de 4,26 a 7,23).

Segundo outro ensaio clínico, o furoato de mometasona a 0,05% comparado com placebo produziu uma melhora significativa no "grau clínico de fimose avaliado por um examinador" (diferença média padronizada de -1,04, 95% CI de -1,77 a - 0,31).

Nenhum dos dois estudos encontrou diferenças significativas em relação a efeitos adversos entre os grupos do corticosteroide e do placebo.

Os dados de quatro estudos não encontraram nenhum benefício significativo quanto ao uso de testosterona tópica, dihidrotestosterona e progesterona. Segundo um outro estudo, quando utilizada como terapia de manutenção após tratamento inicial com propionato de clobetasol tópico, a testosterona tópica piorou os sintomas (p < 0,05), enquanto o placebo não.

Um estudo não encontrou diferenças entre pimecrolimus e propionato de clobetasol tópicos quanto ao alívio do prurido (diferença média padronizada de 0,33, 95% CI de -0,99 a 0,33) e da queimação/dor (diferença média padronizada de 0,03, 95% CI de -0,62 a 0,69). No entanto, o pimecrolimus foi menos eficaz do que o propionato de clobetasol em relação à "melhora global avaliada por um examinador" (diferença média padronizada de -1,64, 95% CI de -2,40 a -0,87). Este estudo não encontrou diferenças significativas em relação a efeitos adversos entre os grupos pimecrolimus e placebo.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Natasha Ferret Segre).

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