Suplementação de vitamina A para prevenir morbidade e mortalidade em lactentes de um a seis meses de idade

Introdução

A deficiência de vitamina A é um problema de saúde pública importante nos países de baixa e média renda. Nesses locais, a suplementação de vitamina A para crianças com idades entre seis meses e cinco anos reduz o risco de elas morrerem. Esta revisão concentrou-se na suplementação dessa vitamina para bebês de um até seis meses de idade.

Pergunta da revisão

A suplementação de vitamina A para bebês de um até seis meses de idade traz benefícios ou prejuízos?

Características do estudo

Os revisores procuraram a literatura médica para identificar estudos relevantes que comparavam a suplementação de vitamina A versus não fazer essa suplementação (grupo controle), em bebês de um até seis meses de vida, e que avaliaram os efeitos disso sobre o risco de eles morrerem, de ficarem doentes e de terem efeitos colaterais. A revisão incluiu todos estudos publicados até 5 de março de 2016. A pesquisa identificou 12 estudos que envolviam um total de 24.846 bebês da Ásia, África e América Latina. A maioria dos estudos foi bem conduzida.

Resultados principais

Os resultados dos estudos não forneceram evidência convincente de que a suplementação de vitamina A para bebês de um até seis meses de vida reduz o risco de eles terem doenças ou de morrerem (evidência de qualidade moderada). A suplementação também não reduziu o risco de os bebês terem diarreia ou pneumonia ou de morrerem em decorrência desses dois problemas. Similarmente, a suplementação de vitamina A não reduziu a proporção de crianças com deficiência de vitamina A medida através de exames de sangue (evidência de qualidade moderada). Existe evidência de alta qualidade apontando que os bebês que receberam vitamina A tiveram maior risco de desenvolverem abaulamento da moleira que fica no alto da cabeça (“abaulamento da fontanela”). Entretanto, este efeito adverso não aumentou o risco subsequente de esses bebês terem convulsões ou morrerem.

Em suma, a suplementação de vitamina A para os bebês com um até seis meses de idade não reduz doenças ou morte e aumenta o risco de eles terem abaulamento da fontanela.

Conclusões dos autores: 

Não há evidência convincente de que a suplementação de vitamina A para lactentes de um a seis meses de idade em países de baixa e média renda reduza a mortalidade ou morbidade dessas crianças. A suplementação de vitamina A nesse grupo de crianças aumenta o risco de abaulamento da fontanela; entretanto, não há relatos de complicações posteriores decorrentes deste evento adverso.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

A deficiência de vitamina A é um problema de saúde pública significativo em países de baixa e média renda. A suplementação de vitamina A para crianças menores de seis meses de idade é uma das estratégias para melhorar a nutrição dos lactentes de alto risco para deficiência de vitamina A e, portanto, essa intervenção poderia potencialmente reduzir a mortalidade e morbidade dessa população.

Objetivos: 

Avaliar o efeito da suplementação de vitamina A sintética para lactentes de um a seis meses de idade em países de renda baixa e média, independente da suplementação materna de vitamina A pré-natal ou pós-natal, sobre a mortalidade, morbidade e efeitos adversos.

Estratégia de busca: 

Usamos a estratégia de busca padrão do Cochrane Neonatal Review Group para fazer buscas nas seguintes bases de dados: Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL 2016, Issue 2), MEDLINE via PubMed (1966 até 5 de março de 2016), Embase (1980 até 5 de março de 2016) e CINAHL (1982 até 5 de março de 2016). Também procuramos por ensaios clínicos randomizados ou quasi-randomizados em plataformas de registro de ensaios clínicos, em anais de conferências e nas listas de referências dos artigos recuperados.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados (ECR) ou quasi-randomizados, individuais ou por conglomerados (cluster) que testaram a suplementação de vitamina A sintética versus placebo ou nenhuma intervenção, em lactentes com um a seis meses de idade.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores avaliaram a elegibilidade dos estudos, seu risco de viés e extraíram os dados sobre os desfechos de interesse.

Principais resultados: 

A revisão incluiu 12 estudos (apresentados em 22 publicações) que randomizaram 24.846 crianças (com idades entre um a seis meses) para grupos controle ou de suplementação de vitamina A. A suplementação de vitamina A não produziu nenhum efeito sobre o desfecho primário mortalidade por qualquer causa: risco relativo (RR) 1,05, intervalo de confiança (IC) de 95% 0,89 a 1,25, 7 estudos, 21.339 participantes, I2 = 0%, teste para heterogeneidade P = 0,79 evidência de qualidade moderada. Além disso, a suplementação de vitamina A não teve efeito sobre a mortalidade ou morbidade devidas a diarreia e infecções do trato respiratório. A suplementação aumentou o risco de abaulamento da fontanela nas primeiras 24 a 72 horas após a suplementação da vitamina A: RR 3,10, IC 95% 1,89 a 5,09, I2 9%, teste para heterogeneidade P = 0,36, evidência de alta qualidade. Na maioria dos casos, o abaulamento desapareceu espontaneamente dentro de 72 horas. Não foi relatado aumento no risco de morte, convulsões ou irritabilidade nos lactentes que desenvolveram abaulamento da fontanela após a suplementação. O grupo suplementado não teve aumento no risco de outros efeitos adversos, tais como vômitos, irritabilidade, diarreia, febre e convulsões, em comparação com o grupo controle. A suplementação de vitamina A não produziu nenhum efeito estatisticamente significativo sobre a deficiência de vitamina A: RR 0,86, IC 95% 0,70 a 1,06, I2 = 27%, teste para heterogeneidade P = 0,25, evidência de qualidade moderada.

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Melissa Maia Bittencourt). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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