Exames médicos pré-operatórios de rotina na cirurgia de catarata

A cirurgia de catarata é amplamente realizada e recursos substanciais estão comprometidos com um aumento da taxa cirúrgica de catarata nos países em desenvolvimento. Mediante o atual volume de cirurgia de catarata e com o aumento previsto no futuro, é essencial otimizar a segurança, e também, a relação de custo-efetividade deste procedimento. A maioria das cirurgias de catarata estão relacionadas com a idade e, portanto, são realizadas em indivíduos idosos com muitas comorbidades sistêmicas e oculares. É provável que exames médicos pré-operatórios de rotina detectem condições clínicas, contudo, é questionável se estas devam impedir os indivíduos a serem submetidos à cirurgia ou se devam mudar a conduta peri-operatória.

Três ensaios clínicos randomizados foram identificados na literatura e analisaram o impacto dos exames médicos pré-operatórios sobre o risco de eventos adversos. Estes exames não reduziram o risco de eventos adversos médicos intra-operatórios ou pós-operatórios quando comparados aos exame direcionados ou a nenhum exame. O custo foi avaliado em um estudo que estimou um gasto de 2,55 vezes maior nos paciente submetidos a exames médicos pré-operatórios de rotina, em comparação aos que realizaram exames pré-operatórios direcionados. Não houve diferença no cancelamento cirúrgico entre aqueles com exames médicos pré-operatórios de rotina e os com nenhum ou limitados exames pré-operatórios.

Conclusões dos autores: 

Esta revisão mostrou que exames pré-operatórios de rotina não aumentam a segurança da cirurgia de catarata. Alternativas aos exames pré-operatórios de rotina foram propostas, incluindo questionários de saúde autoaplicáveis, o que poderia substituir histórias realizadas por profissionais da saúde e exames físicos.Essas opções podem representar um meio de custo-benefício para identificar os pacientes com risco aumentado de eventos adversos médicos devido à cirurgia de catarata.Contudo, apesar da rara ocorrência, os eventos médicos adversos precipitados por cirurgia de catarata continuam a ser uma preocupação, devido ao grande número de pacientes idosos com múltiplas comorbidades médicas submetidos a cirurgia de catarata em vários cenários. Os estudos resumidos nesta revisão devem auxiliar a padronização da assistência na cirurgia de catarata, pelo menos em panoramas desenvolvidos.Infelizmente, nos serviços médicos de países em desenvolvimento, questionários sobre o histórico médico seriam inúteis para o rastreamento de riscos, uma vez que poucas pessoas já foram a um médico, e muito menos, têm o diagnóstico de alguma doença crônica.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

A cirurgia de catarata é amplamente realizada e recursos substanciais estão comprometidos com um aumento das taxas cirúrgicas de catarata nos países em desenvolvimento. Mediante o atual volume de cirurgias de catarata e com o aumento previsto no futuro, é essencial otimizar a segurança e o custo-efetividade destes procedimentos. A maioria das cirurgias são realizadas em indivíduos mais velhos com um correspondente alto de comorbidades sistêmicas e oculares. É provável que exames médicos pré-operatórios de rotina detectem condições clínicas, contudo é questionável se estas medidas devam impedir os indivíduos a serem submetidos a cirurgia de catarata ou se mudam a conduta peri-operatória.

Objetivos: 

(1) Investigar as evidências para as reduções de eventos adversos por meio de exames médicos pré-operatórios, e (2) estimar o custo médio para a realização de exames médicos de rotina.

Estratégia de busca: 

Foram pesquisadas as bases de dados CENTRAL (que contém o the Cochrane Eyes and Vision Group Trials Register)(The Cochrane Library 2011, fascículo 12), MEDLINE (Janeiro de 1950 a Dezembro de 2011), EMBASE (Janeiro de 1980 a Dezembro de 2011), Latin American and Caribbean Literature on Health Sciences (LILACS) (Janeiro de 1982 a Dezembro de 2011) o metametaRegister of Controlled Trials ( mRCT) (www.controlled-trials.com), ClinicalTrials.gov (www.clinicaltrials.gov)e o WHO Internacional Clinical Trials Registry Plataform (ICTRP) (www.who.int/ictrp/search/en). Não houve restrições de datas ou idioma nas pesquisas eletrônicas por ensaios clínicos. As bases de dados eletrônicas foram pesquisadas até o dia 9 de Dezembro de 2011. Foram usadas listas de referências e o Science Citation Index para buscar estudos adicionais.

Critérios de seleção: 

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados em que exames médicos pré-operatórios de rotina foram comparados a nenhum teste pré-operatório ou a testes pré-operatórios selecionados de acordo com a idade dos pacientes submetidos a cirurgia de catarata.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores, independentemente, avaliaram os resumos para identificar possíveis ensaios clínicos para serem incluídos nesta revisão. Para cada estudo selecionado, dois revisores, de forma independente, documentaram suas características, extraíram dados e avaliaram a qualidade metodológica.

Principais resultados: 

Os três ensaios clínicos randomizados incluídos nesta revisão mostraram resultados de 21.531 cirurgias de catarata com total de 707 eventos médicos adversos associados à cirurgia, incluindo 61 internações e três mortes. Dos 707 episódios relatados, 353 ocorreram no grupo pré-teste e 354 no grupo sem testes. A maioria dos eventos foram cardiovasculares e aconteceram durante o período intra-operatório. Exames médicos pré-operatórios de rotina não reduziram o risco de ocorrência de eventos adversos intra-operatórios (Razão de chances (RC) 1,02, 95% Intervalo de confiança (IC) 0,85-1,22) ou pós-operatórios (RC 0,96, IC 95% 0,74-1,24), quando comparados com realização de exames seletivos ou com nenhum exame. As economias de custos foram avaliadas em um estudo que estimou gastos de 2,55 vezes maior naqueles com exames médicos pré-operatórios em relação aos sem exames médicos pré-operatórios. Dois estudos relataram que não houve diferença na taxa de cancelamento de cirurgia entre aqueles com exames médicos pré-operatórios e os com nenhum ou com exames pré-operatórios limitados.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Joyce Godoy Farat, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato:portuguese.ebm.unit@gmail.com

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