Efeito do uso restrito de chupetas sobre a duração do aleitamento materno em bebês de nove meses

Qual é o problema e porque ele é importante?

Chupetas, usadas para acalmar os bebês recém-nascidos, tornaram-se parte da cultura no mundo todo. O uso irrestrito de chupetas pode levar o bebê a ficar confuso em relação ao mamilo e, consequentemente, pode contribuir para o desmame precoce. Nós queríamos avaliar os efeitos de restringir o uso de chupetas sobre a duração da amamentação.

Que evidência nós achamos?

A busca foi atualizada em 30 de junho de 2016. Nós identificamos 3 estudos, com um total de 1.915 bebês. Um estudo não pode ser incluído nas análises e, dessa forma, os resultados baseiam-se em 2 estudos envolvendo 1.302 crianças. Nesses dois estudos, as mães incluídas desejavam amamentar no peito. Em um deles elas foram recrutadas imediatamente depois do parto e no outro estudo, elas foram recrutadas quando o bebê completava duas semanas de vida. Nós encontramos que o uso livre de chupeta não afetou a taxa de recém-nascidos que mamavam parcial ou exclusivamente no peito, aos três e aos quatro meses de vida. Os resultados dos dois estudos foram bastante consistentes. Nós julgamos que essa evidência é de qualidade moderada. Não encontramos nenhuma informação quanto ao efeito do uso de chupetas sobre dificuldades das mães para amamentar, satisfação materna, choro e agitação da criança, ou problemas infantis como otite média e má oclusão dentária.

O que isso significa?

Em mães motivadas a amamentar, existe evidência de moderada qualidade que o uso de chupeta, antes ou depois da amamentação iniciar, não reduz a duração da amamentação até os quatro meses de idade, em bebês saudáveis que nasceram de 9 meses e estejam mamando no peito. Porém, não há informação suficiente sobre potenciais efeitos prejudiciais das chupetas sobre as mães e bebês. Até mais informações serem disponibilizadas sobre esse tema, as mães que estão motivadas a amamentar no peito devem decidir sobre o uso de chupetas baseado nas suas próprias preferências.

Conclusões dos autores: 

Em crianças saudáveis que nasceram de 9 meses e estão mamando no peito, o uso de chupeta desde o nascimento ou depois de iniciar a amamentação não afeta significativamente a taxa nem a duração do aleitamento materno, exclusivo ou parcial, até os quatro meses de vida. Contudo, ainda se necessita de evidências quanto ao possível efeito do uso de chupetas sobre dificuldades maternas imediatas em amamentar, bem como possíveis efeitos a longo prazo do uso de chupetas sobre a saúde dos lactentes.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

Para iniciar com êxito e manter a amamentação por mais tempo, a cartilha da OMS “Os Dez Passos para o Aleitamento Materno Bem Sucedido” recomenda que se evite completamente o uso de bicos artificiais e chupetas para bebês que estão sendo amamentados. Oferecer a chupeta em vez da mama para acalmar o bebê pode reduzir o número de mamadas e consequentemente diminuir a produção do leite e encurtar o período de aleitamento materno.

Objetivos: 

Avaliar o efeito do uso restrito versus uso livre de chupetas sobre a duração, bem como outros desfechos do aleitamento e sobre a saúde do bebê, em recém-nascidos saudáveis a termo cujas mães iniciaram a amamentação e pretendem continuar com o aleitamento exclusivo.

Estratégia de busca: 

A busca foi realizada na base de dados Cochrane Pregnancy and Childbirth Group’s Trials Register (30 de junho de 2016) e nas listas de referências dos artigos recuperados.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados e quasi randomizados que compararam o uso restrito versus livre de chupetas em recém-nascidos saudáveis a termo que iniciaram o aleitamento materno.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores independentes avaliaram a inclusão dos estudos, o risco de viés e fizeram a extração de dados. Além disso, eles verificaram a acurácia dos dados extraídos. A qualidade da evidência foi avaliada através da metodologia GRADE.

Principais resultados: 

Foram identificados três estudos (envolvendo 1.915 bebês) para inclusão na revisão, mas somente dois deles (envolvendo 1.302 crianças saudáveis a termo em aleitamento materno) foram incluídos nas análises. A metanálise dos dois estudos mostrou que o uso livre ou restrito de chupetas por crianças saudáveis que estavam sendo amamentadas não teve efeito significativo sobre a taxa de crianças em aleitamento materno exclusivo aos três meses de vida (razão de risco (RR) 1,01; intervalo de confiança 95% (IC) 0,96 a 1,07, 2 estudos; 1.228 recém-nascidos) e aos quatro meses de vida (RR 1,01; 95% IC 0,94 a 1,09; 1 estudo; 970 recém-nascidos; evidência de moderada qualidade). O uso livre ou restrito de chupeta também não modificou de forma significativa a taxa de crianças em aleitamento parcial aos 3 meses de vida (RR 1,00; 95% IC 0,98 a 1,02; 2 estudos; 1.228 recém-nascidos) e aos 4 meses de vida (RR 0,99; 95% IC 0,97a 1,02; 1 estudo; 970 recém-nascidos). Nenhum dos estudos incluídos avaliou os outros desfechos primários da revisão, por exemplo duração da amamentação sendo ela parcial ou exclusiva. Os estudos também não avaliaram nossos desfechos secundários, entre eles dificuldades na amamentação (mastite, rachadura nos mamilos, congestão mamária), saúde da criança (má oclusão dentária, otite média, candidíase oral, síndrome de morte súbita infantil (SIDS)), satisfação materna e nível de autoconfiança dos pais nos cuidados do bebê. Um estudo mostrou que evitar o uso de chupeta não teve efeito sobre o choro/agitação da criança aos 4, 6 ou 9 semanas de idade. Ele também demonstrou nenhum efeito sobre o risco de desmame antes dos 3 meses de idade, porém os dados estavam incompletos e não puderam ser incluídos nas análises.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Atualizado por Andréa Mazzucca) - contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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