Fluvoxamina versus outros agentes antidepressivos no tratamento da depressão

A depressão maior é uma doença mental grave, caracterizada por rebaixamento de humor persistente e não reativo, além da perda de interesse e prazer. É geralmente acompanhada de uma gama de sintomas, incluindo mudança do apetite, distúrbio do sono, fadiga, falta de energia, dificuldade de concentração, sintomas psicomotores, culpa indevida e pensamentos mórbidos de morte. Embora tanto as intervenções farmacológicas como as psicológicas sejam efetivas para o tratamento da depressão maior, os antidepressivos (ADs) continuam sendo os pilares do tratamento da depressão moderada ou grave. A fluvoxamina é um dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs) mais antigos e é prescrita para pacientes com depressão maior em muitos países. Esta revisão mostra os resultados de estudos que compararam a fluvoxamina com outros antidepressivos no tratamento da depressão maior. Não encontramos evidência robusta de que a fluvoxamina fosse superior ou inferior a quaisquer outros antidepressivos em termos de eficácia e tolerabilidade na fase aguda do tratamento da depressão. Entretanto, há evidência de diferenças nos perfis de efeitos colaterais, especialmente quando se comparam os efeitos colaterais gastrointestinais da fluvoxamina com os dos antidepressivos tricíclicos (ADTs). Com base nesses achados, concluímos que os clínicos devem focar em considerações de ordem prática ou clinicamente relevantes, incluindo essas diferenças nos perfis de efeitos colaterais.

Conclusões dos autores: 

Não encontramos evidência robusta de que a fluvoxamina fosse superior ou inferior a quaisquer outros antidepressivos em termos de eficácia e tolerabilidade na fase aguda do tratamento da depressão. Todavia, as diferenças nos perfis de efeitos colaterais foram evidentes. Com base nesses achados, concluímos que os médicos devem focar em considerações de ordem prática ou clinicamente relevantes, incluindo estas diferenças nos perfis de efeitos colaterais.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

A fluvoxamina, um dos mais antigos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs), é prescrita para pacientes com depressão maior em muitos países. Vários estudos já revisaram a eficácia e a tolerabilidade da fluvoxamina no tratamento da depressão maior. Entretanto, essas revisões estão desatualizadas.

Objetivos: 

O nosso objetivo é avaliar a efetividade, a tolerabilidade e o perfil de efeitos colaterais da fluvoxamina no tratamento da depressão maior em comparação com outros agentes antidepressivos, incluindo os tricíclicos (ADTs), heterocíclicos, outros ISRSs, inibidores da recaptação de serotonina-noradrenalina (IRSNs), outros agentes mais novos e outras drogas psicotrópicas convencionais.

Estratégia de busca: 

Pesquisamos nas bases Cochrane Collaboration Depression, Anxiety and Neurosis Controlled Trials Register. Fizemos busca manual nos registros de ensaios clínicos e de estudos em andamento na América do Norte, Europa, Japão e Austrália para encontrar ensaios clínicos randomizados. Fizemos também uma busca por citações relevantes de estudos publicados ou não nas listas de referências dos artigos incluídos na revisão, em revisões sistemáticas anteriores e em livros textos sobre transtornos afetivos. A data da última busca foi 31 de agosto de 2008.

Critérios de seleção: 

Incluímos todos os ensaios clínicos randomizados, publicados em qualquer língua, que compararam a fluvoxamina com quaisquer outros antidepressivos no tratamento da fase aguda da depressão maior.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores examinaram independentemente as citações e os resumos, obtiveram os artigos, extraíram os dados e avaliaram o risco de viés dos estudos incluídos. Analisamos os dados dicotômicos usando odds ratios (ORs) e, para os dados contínuos, usamos a diferença padronizada de médias (SMD). Um modelo de efeitos aleatórios foi usado para combinar os estudos.

Principais resultados: 

Incluímos um total de 54 ensaios clínicos randomizados (n = 5122). Não encontramos evidência robusta que indicasse que a fluvoxamina fosse superior ou inferior aos outros antidepressivos com relação a resposta, remissão e tolerabilidade. Contudo, as diferenças nos perfis de efeitos colaterais foram evidentes, especialmente no tocante aos efeitos colaterais gastrointestinais da fluvoxamina quando comparada aos outros antidepressivos. Por exemplo, a fluvoxamina foi associada a maior incidência de vômitos/náuseas (versus imipramina, OR 2,23, 95% CI 1,59 à 3,14; versus clomipramina, OR 2,13, 95% CI 1,06 to 4,27; versus amitriptilina, OR 2.86, 95% CI 1,31 to 2,63).

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Bárbara Perdigão Stumpf)

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