Medicamentos orais para o tratamento do pé de atleta (tinea pedis)

O pé de atleta ou frieira (tinea pedis) é uma infecção fúngica (micose) dos pés de fácil contágio e de difícil cura. Esta revisão comparou diferentes drogas orais antifúngicas (isto é, remédios que se tomam pela boca), e incluiu 15 ensaios clínicos, envolvendo 1438 participantes. Há muitos tipos diferentes de tratamentos orais, e os ensaios clínicos que encontramos avaliaram todas as drogas orais utilizadas para o tratamento do pé de atleta. Chegamos à conclusão de que a terbinafina e o itraconazol são mais efetivos que placebos e também de que a terbinafina é mais efetiva que a griseofulvina. A griseofulvina é um remédio mais antigo, que surgiu muito antes da terbinafina e o itraconazol. Existem mais estudos com esses novos tratamentos. Os estudos com as demais drogas não foram grandes o suficiente para demonstrar diferenças entre elas. Todas as drogas tiveram efeitos colaterais, sendo que os efeitos gastrointestinais foram os mais comuns.

Em ensaios clínicos futuros, para atingir resultados mais consistentes, é necessário incluir um número maior de participantes para testar diferentes tratamentos. Além disto, pesquisas futuras deverão considerar os custos das diversas formas de tratamento.

Conclusões dos autores: 

A evidência sugere que a terbinafina é mais efetiva que a griseofulvina, e que a terbinafina e o itraconazol são mais efetivos que nenhum tratamento. Para que se produzam dados mais confiáveis, uma rigorosa avaliação de diferentes terapias com drogas orais precisa ser realizada em amostras maiores que permitam identificar diferenças reais ao se comparar dois tratamentos. É também importante a continuidade do seguimento e da coleta dos dados ao longo dos ensaios clínicos, preferencialmente por 6 meses após o fim do período de administração da intervenção, para se poder ter certeza se houve ou não recorrência da infecção.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

Cerca de 15% da população mundial tem pé de atleta (frieira ou tinea pedis), uma infecção fúngica do pé. Existem várias formas clínicas da doença; a tinea dos dedos do pé, da sola (interdigital), do calcanhar e lateral do pé (plantar) são as formas mais comuns. A tinha plantar é conhecida como “pé em mocassim”. Uma vez adquirida, a infecção pode disseminar-se para outras áreas do pé, inclusive para as unhas, que se tornam uma fonte de reinfecção. A terapia oral é frequentemente usada para quadros crônicos de tinea ou quando o tratamento tópico não resolveu o problema.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade dos tratamentos orais para infecções fúngicas da pele do pé (tinea pedis).

Estratégia de busca: 

Para esta atualização da revisão, foram feitas buscas nas seguintes bases de dados até julho de 2012: Cochrane Skin Group Specialised Register, CENTRAL, MEDLINE (a partir de 1946), EMBASE (a partir de 1974), e CINAHL (a partir de 1981). Também foi feita uma busca nas referências bibliográficas citadas nos estudos encontrados e nas plataformas de registros de ensaios clínicos.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos controlados e randomizados que avaliaram medicamentos orais para participantes com diagnóstico clínico de tinea pedis, confirmado pela microscopia e pelo crescimento de dermatófitos (fungos) na cultura.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão realizaram a seleção de estudos, a avaliação do risco de viés e a extração de dados, de modo independente.

Principais resultados: 

Incluímos 15 ensaios clínicos que envolveram 1438 participantes. Segundo dois ensaios clínicos (71 participantes) que compararam terbinafina versus griseofulvina, a razão de risco (RR) de cura foi de 2.26 [intervalo de confiança de 95% (IC) 1,49 a 3,44] em favor da terbinafina. Apesar da maioria dos estudos serem pequenos, não foi detectada nenhuma diferença significante entre terbinafina e itraconazol, nem entre fluconazol e itraconazol, ou fluconazol e cetoconazol, ou entre griseofulvina e cetoconazol. Dois ensaios clínicos mostraram que a terbinafina e o itraconazol foram mais efetivos do que placebo: terbinafina (31 participantes, RR 24,54, IC95 1,57 a 384,32) e itraconazol (72 participantes, RR 6,67, IC 95 2,17 a 20,48). Houve relato de efeitos adversos para todas as drogas estudadas, sendo os efeitos gastrointestinais os mais frequentes. Dez dos ensaios clínicos foram publicados há mais de 15 anos, portanto apresentam informações sem uma clara avaliação do risco de viés metodológico. Apenas um ensaio clínico apresentou baixo risco de viés em relação a todos os critérios metodológicos avaliados. A maioria dos ensaios clínicos restantes foi categorizada como tendo um risco "incerto" de viés metodológico devido à falta de informações claras a respeito dos métodos de geração da sequência de randomização e de sigilo da alocação. O número de ensaios clínicos com cegamento dos participantes e dos investigadores foi maior que o de estudos com cegamento dos avaliadores dos desfechos, sendo que este último parâmetro foi descrito pouco relatado.

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