Suplementação com glutamina para prevenir morbidade e mortalidade em recém-nascidos prematuros

Pergunta da revisão: Suplementar glutamina reduz os riscos de os bebês prematuros virem a morrer ou ter incapacidade?

Introdução: A glutamina é um nutriente importante para o crescimento e desenvolvimento das pessoas. Esse aminoácido pode ser especialmente importante na proteção dos bebês prematuros contra infecções e problemas intestinais que causam morte e incapacidade. Buscamos a evidência existente para saber se dar glutamina para bebês prematuros melhoraria aspectos importantes da sua saúde.

Características do estudo: Encontramos 12 estudos clínicos randomizados, envolvendo um total de 2.877 bebês. No geral, os estudos eram de boa qualidade metodológica.

Principais resultados: Esses estudos não forneceram evidência forte ou consistente de que dar glutamina modifique os riscos de os bebês morrerem ou terem infecção ou doença intestinal grave, ou de que traga melhoras para seu desenvolvimento no longo prazo.

Conclusões: É pouco provável que a suplementação com glutamina seja benéfica para os bebês prematuros.

Conclusões dos autores: 

Os dados provenientes dos ECRs disponíveis não fornecem evidência de que a suplementação com glutamina traga benefícios importantes para os recém-nascidos prematuros.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

A glutamina é um aminoácido condicionalmente essencial (ou seja, que normalmente pode ser sintetizado mas que, em certas circunstâncias, uma fonte externa ao corpo pode ser necessária). A biossíntese endógena pode ser insuficiente para as necessidades teciduais em estados de estresse metabólico. Existem evidências de que a suplementação com glutamina melhore os resultados clínicos de adultos em condição crítica. Foi sugerido que a suplementação com glutamina também poderia também ser benéfica para bebês prematuros.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos da suplementação com glutamina sobre a mortalidade e a morbidade neonatal dos prematuros.

Estratégia de busca: 

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados, conforme recomendado pelo Cochrane Neonatal Review Group: Central Registerof ControlledTrials (CENTRAL, 2015, Número 12), MEDLINE, EMBASE e Maternity and Infant Care(até dezembro de 2015). Também fizemos buscas em anais de congressos e em revisões anteriores.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados (ECR) ou quasi-randomizados que compararam a suplementação de glutamina versus não suplementar glutamina em recém-nascidos prematuros, em qualquer momento desde o nascimento até a alta hospitalar.

Coleta dos dados e análises: 

Extraímos os dados usando os métodos padrão do Cochrane Neonatal Review Group. Dois autores, trabalhando de forma independente, extraíram os dados e avaliaram a qualidade dos estudos. Usamos o modelo de efeito fixo nas metanálises e apresentamos o risco relativo típico, a diferença de risco típica e a diferença de média ponderada.

Principais resultados: 

Identificamos 12 ECRs envolvendo um total de 2.877 prematuros. Seis estudos avaliaram a suplementação enteral e seis avaliaram a suplementação parenteral de glutamina. Os estudos, no geral, eram de boa qualidade metodológica. A suplementação com glutamina não modificou o risco de mortalidade dos prematuros: risco relativo (RR) típico 0,97, intervalo de confiança (IC) de 95% 0,80 a 1,17, diferença de risco (DR) 0,00, IC 95% -0,03 a 0,02. A suplementação também não teve efeito sobre o risco de morbidade neonatal grave, incluindo a incidência de infecção invasiva ou enterocolite necrotizante. Três estudos avaliaram desfechos tardios (desenvolvimento neurológico em crianças com 18-24 meses ou mais) e não encontraram quaisquer efeitos da suplementação.

Notas de tradução: 

Traduzido pelo Cochrane Brazil (Bruno Jhônatan Costa Lima). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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