Apoio para mães que amamentam

A tradução não está atualizada. Por favor clique aqui para ver a versão mais recente em inglês desta revisão.

A Organização Mundial de Saúde recomenda que todas crianças recebam apenas leite materno (amamentação exclusiva) até os seis meses de idade e que a amamentação continue como um importante componente da dieta das crianças até que elas completem dois anos de idade. Isso ocorre porque existem muitas evidências de que não amamentar acarreta riscos no curto e no longo prazo, para a saúde tanto das crianças como das mães. Muitas mães param de amamentar antes do que desejam, devido a problemas que muitas vezes poderiam ser prevenidos se elas tivessem recebido cuidados e apoio adequados. A interrupção prematura da amamentação pode causar decepção e frustração para as mães e problemas de saúde para elas e para os seus bebês. O “apoio para a amamentação” inclui coisas como tranquilizar a mãe, elogiá-la, fornecer informações e a oportunidade de discutir e responder às suas perguntas. Esta revisão investigou se o apoio extra (fornecido por profissionais de saúde ou leigos treinados ou ambos), para mães que amamentam poderia ajudar a prolongar a amamentação, quando comparado com cuidados habituais. A revisão encontrou 52 ensaios randomizados controlados oriundos de 21 países, que incluíram mais de 56.000 mulheres. Todas as formas de apoio extra, analisadas em conjunto, mostraram um aumento na duração do tempo em que as mulheres continuaram a amamentar só no peito, sem oferecer quaisquer outros tipos de líquidos ou alimentos para seus bebês. O apoio oferecido, tanto por leigos treinados como por profissionais, teve impacto positivo sobre os resultados da amamentação. O apoio presencial (cara a cara) teve efeito maior do que o apoio por telefone. Quando o suporte à amamentação é oferecido somente quando a mãe pede ajuda, é pouco provável que seja eficaz. Isso sugere que o suporte deve ser oferecido de modo programado, em visitas regulares pré-agendadas. As intervenções de apoio tiveram um efeito mais acentuado nos locais onde as taxas de iniciação à amamentação eram mais altas. O ponto de vista das mulheres sobre as intervenções de apoio à amamentação não foi bem relatado nos estudos. O apoio deve ser adaptado ao local e às necessidades do grupo populacional. Mais pesquisas são necessárias para identificar os aspectos do apoio que são mais eficazes.

Conclusões dos autores: 

O apoio à amamentação deve ser oferecido para todas as mães, objetivando aumentar a duração e a exclusividade do aleitamento materno. O apoio tem maior probabilidade de ser eficaz em locais onde as taxas de iniciação de amamentação são altas. Por isso, é importante se esforçar para que a iniciação da amamentação ocorra.O apoio pode ser oferecido tanto por profissionais quanto por leigos ou outras mães apoiadoras, ou uma combinação de ambos. Estratégias que se baseiam principalmente no apoio presencial têm maior probabilidade de sucesso. O apoio oferecido somente de forma reativa, no qual se espera que o contato seja iniciado por parte das mulheres, tem pouca probabilidade de sucesso. Devem ser oferecidas visitas com frequência pré-definida às mulheres, para que elas possam saber que o apoio estará disponível.O apoio deve ser adaptado às necessidades do ambiente e do grupo populacional.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

Existe muita evidência sobre os riscos que não amamentar pode trazer à saúde dos bebês e das mães. Em 2003, a Organização Mundial de Saúde recomendou o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e continuar a amamentar como um importante componente da dieta dos bebês até os dois anos de idade. Contudo, as taxas de amamentação atuais de muitos países não refletem essa recomendação.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade do apoio às mães que amamentam.

Estratégia de busca: 

Fizemos buscas na base Cochrane Pregnancy e Childbirth Group's Trials Register (3 de outubro de 2011).

Critérios de seleção: 

Incluímos na revisão ensaios clínicos randomizados ou quasi-randomizados que compararam apoio extra para mães saudáveis que amamentam bebês saudáveis, que nasceram a termo versus cuidados habituais.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores, de forma independente, extraíram os dados e avaliaram a qualidade dos estudos.

Principais resultados: 

Identificamos 67 estudos elegíveis para inclusão nesta revisão, sendo que 52 estudos (de 21 países) apresentaram dados que puderam ser incluídos nas análises (56.451 pares mãe-filho). Todas as formas de apoio extra, quando analisadas em conjunto, mostraram um aumento na duração do “aleitamento em geral" (termo que inclui tanto amamentação parcial quanto exclusiva). O risco relativo (RR) para a interrupção do aleitamento materno antes dos seis meses foi de 0,91, com intervalo de confiança de 95% (95% CI) de 0,88 a 0,96. Todas as formas de apoio extra, quando analisadas em conjunto, tiveram um efeito positivo sobre a duração do aleitamento materno exclusivo: RR no sexto mês: 0,86, 95% CI 0,82 - 0,91; RR na quarta à sexta semana 0,74, IC 95% 0,61 - 0,89). O apoio extra oferecido tanto por leigos como por profissionais teve impacto positivo sobre os resultados da amamentação. A satisfação materna não foi relatada de forma adequada.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Bruna Medeiros Gonçalves de Veras e Carlos Alberto da Silva Magliano)

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