Imersão em água no trabalho de parto e parto

Essa revisão incluiu 12 ensaios clínicos (3243 mulheres). A imersão em água durante o primeiro período do trabalho de parto reduz de forma significativa a necessidade de analgesia peridural/raque, sem afetar negativamente a duração do trabalho de parto, a taxa de parto cirúrgico, ou o bem-estar neonatal. Um estudo mostrou que a imersão em água durante o segundo período do trabalho de parto aumentou a satisfação das mulheres em relação à sua experiência do parto. Mais pesquisas são necessárias para verificar os efeitos da imersão em água sobre a morbidade neonatal e materna. Não foi encontrado nenhum estudo sobre a imersão em água durante o terceiro período do trabalho de parto, ou que avaliasse diferentes tipos de piscina/banheira.

Conclusões dos autores: 

As evidências sugerem que a imersão em água durante o primeiro período do trabalho de parto reduz o uso de analgesia peridural/raque e a duração do primeiro período do trabalho de parto. Devido à variabilidade nas intervenções e nos desfechos analisados, existem poucas informações quanto aos benefícios da imersão durante o primeiro e segundo períodos do trabalho de parto para outros desfechos. Não existe evidência de que a imersão em água durante o trabalho de parto ou parto aumentem os riscos de efeitos adversos para o feto/recém-nascido ou para a mulher. Entretanto, os estudos são muito diferentes e existe grande heterogeinidade para alguns desfechos. Mais estudos são necessários.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

Alguns entusiastas sugerem que o trabalho de parto e parto na água aumentariam o relaxamento materno, reduziriam a necessidade de analgesia e promoveriam o modelo de assistência das parteiras. Os críticos apontam para os riscos de inalação da água pelo recém-nascido e de infecção materna/neonatal.

Objetivos: 

Avaliar as evidências existentes, baseadas em ensaios clínicos randomizados, sobre os efeitos do trabalho de parto e parto na água sobre desfechos maternos, fetais, neonatais e de interesse dos cuidadores.

Estratégia de busca: 

A busca foi realizada na base de dados Cochrane Pregnancy and Childbirth Group’s Trials Register (30 de Junho de 2011) e nas listas de referências dos estudos incluídos.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados comparando a imersão em qualquer tipo de banheira/piscina versus nenhum tipo de imersão, ou outras formas não farmacológicas de controle da dor durante o trabalho de parto e/ou parto, para mulheres de baixo risco para complicações, segundo definição dos autores.

Coleta dos dados e análises: 

A elegibilidade e a qualidade dos estudos foram avaliadas de forma independente por dois revisores. A extração dos dados também foi feita de forma independente. Um autor tabulou os dados e o outro verificou a acurácia da tabulação.

Principais resultados: 

Esta revisão incluiu 12 estudos (3243 mulheres). Oito estudos analisaram apenas o primeiro período se do trabalho de parto, um estudo analisou imersão precoce versus tardia no primeiro período do trabalho de parto, dois estudos analisaram imersão no primeiro e segundo períodos do trabalho de parto e um estudo avaliou apenas o segundo período do trabalho de parto. Não encontramos nenhum estudo que avaliasse diferentes tipos de banheiras/piscinas, ou que avaliasse a imersão durante o terceiro período do trabalho de parto.

Os resultados dos estudos sobre imersão no primeiro período mostraram uma redução significativa na taxa de analgesia/anestesia peridural/raque/bloqueio paracervical no grupo de mulheres alocadas para imersão em água em comparação com o grupo controle (478/1254 versus 529/1245; Risco Relativo (RR) 0,90; intervalo de confiança (IC) 95% 0,82-0,99, seis estudos). Houve também uma redução significativa na duração do primeiro período do trabalho de parto (Diferença Média -32,4 minutos; IC 95%, -58,7 a -6,13). Não houve diferença significativa na taxa de parto vaginal assistido (RR 0,86, IC 95% 0,71 a 1,05, sete estudos), na taxa de cesarianas (RR 1,21, IC 95% 0,87 a 1,68, oito estudos), no uso de ocitocina (RR 0,64; 95% IC 0,32-1,28, cinco estudos), nem nas taxas de trauma perineal ou de infecção materna. Não houve diferença significativa na taxa de Apgar de 5º minuto menor que sete (RR 1,58, IC 95% 0,63 a 3,93, cinco estudos), na taxa de admissão na unidade neonatal (RR 1,06, IC 95% 0,71 a 1,57, três estudos), ou na taxa de infecção neonatal (RR 2,00, IC 95% 0,50 a 7,94, cinco estudos).

Dentre os três estudos que compararam imersão em água durante o segundo período do trabalho de parto versus nenhuma imersão, um estudo apontou que o nível de satisfação materna quanto à experiência do parto foi significativamente mais elevado no grupo de mulheres com imersão (RR 0,24; 95% IC, 0,07 a 0,80).

A falta de dados para algumas comparações impediu conclusões robustas. Mais pesquisas são necessárias.

Tools
Information
Compartilhar/salvar