Episiotomia no parto vaginal

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Durante o parto normal, especialmente quando ele ocorre de forma rápida, a passagem da cabeça do bebê pode levar a lacerações (cortes ou rasgos) na saída da vagina. Essas lacerações podem envolver apenas a pele da região perineal (região entre o ânus e os orgãos sexuais) ou estender-se mais profundamente, atingindo os músculos, o esfíncter anal e o ânus. As enfermeiras obstétricas ou os médicos obstetras podem optar por fazer um corte no períneo (chamado episiotomia), com tesoura ou bisturi, para facilitar o nascimento do bebê e prevenir lacerações graves que podem ser difíceis de consertar. O corte da episiotomia é fechado com pontos (sutura). Alguns hospitais têm a política de realizar a episiotomia de rotina, ou seja, em todas a mulheres que dão à luz ali.

Os autores desta revisão buscaram, na literatura médica, estudos randomizados controlados que compararam o uso “seletivo” da episiotomia (ou seja, seu uso apenas quando os médicos ou enfermeiros achavam que era necessário) com o uso rotineiro da episiotomia, para determinar os possíveis benefícios e danos para a mãe e para o bebê. Os autores encontraram oito estudos envolvendo mais de 5.000 mulheres. Ao todo, 75,1% das mulheres que foram sorteadas para os grupos de episiotomia de rotina de fato fizeram episiotomia. No grupo da episiotomia seletiva, 28,4% das mulheres foram submetidas à episiotomia. A realização de episiotomia seletiva parece trazer mais benefícios do que a episiotomia de rotina. As mulheres no grupo de episiotomia seletiva tiveram menos trauma perineal grave, menos trauma perineal posterior e menor necessidade de sutura. A taxa de complicações nas cicatrizes (avaliadas sete dias após o parto) também foi 12% até 31% menor. Não houve diferença entre os dois grupos na intensidade da dor, na ocorrência de incontinência urinária, na dor na relação sexual ou no trauma grave na região perineal/vaginal após o parto. No geral, as mulheres no grupo da episiotomia seletiva tiveram mais danos no períneo anterior (região que fica entre a abertura vaginal e o canal da urina). Os benefícios da episiotomia seletiva foram vistos tanto para a episiotomia médio-lateral (corte feito à esquerda da vagina) como para as episiotomias medianas (corte feito entre a vagina e o ânus). Porém, houve poucos estudos que analisaram as diferentes técnicas de episiotomia.

Conclusões dos autores: 

A prática da episiotomia seletiva parece oferecer vários benefícios em comparação com a prática da episiotomia rotineira. A episiotomia seletiva está associada a menos trauma perineal posterior, menor necessidade de sutura e menos complicações, sem haver diferenças na intensidade da dor e no trauma vaginal ou perineal grave. Porém, a episiotomia seletiva aumenta o risco de trauma perineal anterior.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

A episiotomia é feita para prevenir lacerações perineais graves, mas seu uso de rotina é questionado. Os efeitos da episiotomia mediana, comparados à episiotomia médio-lateral, ainda não estão claros

Objetivos: 

O objetivo desta revisão foi avaliar os efeitos do uso seletivo comparado com o uso rotineiro da episiotomia no parto vaginal.

Estratégia de busca: 

Realizamos buscas na Cochrane Pregnancy and Childbirth Group's Trials Register (março 2008).

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados comparando o uso seletivo versus rotineiro da episiotomia; uso seletivo versus rotineiro da episiotomia médio-lateral; uso seletivo versus rotineiro da episiotomia mediana; e o uso da episiotomia mediana versus episiotomia médio-lateral.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores avaliaram de forma independente a qualidade dos estudos e extraíram os dados.

Principais resultados: 

Foram incluídos oito estudos (5.541 mulheres). A taxa de episiotomia foi de 75,15% (2.035/2.708 mulheres) no grupo de episiotomia de rotina, comparado a 28,40% (776/2733 mulheres) no grupo de episiotomia seletiva. Comparada com a episiotomia rotineira, a episiotomia seletiva resultou em menos traumas perineais graves [risco relativo (RR) 0,67, intervalo de confiança de 95% (95% CI) 0,49 a 0,91], menor necessidade de sutura (RR 0,71, 95% CI 0,61 a 0,81) e menos complicações na cicatrização (RR 0,69, 95% CI 0,56 a 0,85). A episiotomia seletiva foi associada com mais traumas perineais anteriores (RR 1,84, 95% CI 1,61 a 2,10). Não houve diferença no trauma vaginal/perineal grave (RR 0,92, 95% CI 0,72 a 1,18), na dispareunia (RR 1,02, 95% CI 0,90 a 1,16), na incontinência urinária (RR 0,98, 95% CI 0,79 a 1,20) ou nas medidas de intensidade da dor. Os resultados das comparações entre episiotomia médio-lateral seletiva versus episiotomia médio-lateral de rotina versus episiotomia mediana foram semelhantes na comparação em geral.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Maria Claudia Bayão Carelli)

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